Iniciativa TRPG: Os druidas de Allihanna

A Iniciativa Tormenta RPG está de volta! Para quem não conhece, é uma proposta entre os usuários do Fórum Jambô para criar mais material para o mundo de Tormenta RPG. O […]

A Iniciativa Tormenta RPG está de volta! Para quem não conhece, é uma proposta entre os usuários do Fórum Jambô para criar mais material para o mundo de Tormenta RPG. O tema deste período é “Igrejas e Dogmas”. E resolvi revisitar uma série de textos que escrevi há muitos anos sobre várias igrejas e religiões do mundo de Arton. O resultado vai aparecer aqui em doses homeopáticas; o primeiro falou sobre igrejas relacionadas a Khalmyr, o Deus da Justiça; o segundo tratou dos clérigos e da ordem de Valkaria, Deusa da Humanidade; o terceiro artigo fez o mesmo por Tanna-Toh, a Deusa do Conhecimento, enquanto o quarto o fez por Marah, Deusa da Paz. Este quinto (e ainda não último) artigo vai tratar sobre a organização dos druidas de Allihanna, deusa da Natureza.

Pensar flores, comer frutos

Em seu passado, os humanos louvavam Allihanna em diversas formas, mas conforme a civilização ia se estratificando, o culto à Deusa era esquecido pela maioria das pessoas. A caravana de refugiados de Lamnor não se diferenciou muito neste aspecto, contando com poucos devotos da deusa da natureza. Apesar disso, estes poucos (em sua maior parte rangers) travaram contato com a organização druídica de Arton-norte logo nos primórdios do Reinado.
Logo os druidas nativos e os recém-chegados se adaptaram uns aos outros, e um Concílio Druídico foi convocado em meados do verão de 1032. Nele, as principais diretrizes e costumes dos druidas de Arton-norte foram expostas aos recém-chegados do Sul.
Esse Concílio facilitou a transição dos devotos do Sul para o Norte. Alguns reinos de grande concentração florestal (como Tollon, Sambúrdia e Collen) foram muito influenciados pela religião druídica e pelos costumes dos povos florestais.
O culto à Allihanna no Reinado ocorre em todos os reinos que possuam florestas ou outras áreas naturais favorecidas pela deusa da natureza. Alguns reinos cultuam a deusa sob outras formas, como a Truta Mãe de Callistia.

História do Conclave dos Druidas

Em seus primórdios, antes da escrita e da civilização, praticamente todos os povos sempre tiveram grande carinho pela deusa Allihanna, tanto em suas formas animais quanto em sua forma ‘pura’. Esta forma pura, chamada Grande Mãe ou apenas Deusa, foi um dos primeiro dos cultos organizados à uma divindade, através dos elfos. Organizados numa estrutura hierarquizada bem diferente dos costumes élficos, os primeiros druidas surgiram.
Quando os elfos chegaram à Lamnor, marcando o início da linha de tempo de Arton, os druidas já eram parte da sociedade élfica. Foram os druidas elfos que espalharam o culto à Allihanna (uma contração do nome élfico Allihannatantala) por todo o continente, tanto ao Sul quanto ao mais distante Norte. O primeiro Concílio Druídico ocorreu no equinócio de primavera do ano 11 no Calendário Élfico; depois dele, vários Concílios se passaram, assim como os anos.
Mesmo depois da Grande Batalha, os druidas de Arton-norte e Arton-sul mantiveram-se em contato, com suas organizações definidas dentro de suas regras preestabelecidas. O fato recente mais importante para o Conclave dos Druidas foi o apontamento do Grande Druida mais recente, o elfo Razlen Greenleaf, e sua reclusão voluntária para a Floresta dos Espinheiros, a noroeste de Tapista.
O Conclave não pode ser considerado uma organização tecnicamente, dada a notória tendência ao isolamento dos druidas. Ainda assim, os druidas de cada região costumam manter-se em contato, reportando suas atividades à druidas de grau mais elevado através de mensageiros animais. É verdade que existem grupos de druidas mais coesos, como os Druidas de Tollon, por exemplo.
Os druidas dão especial significado à datas como os solstícios e equinócios, épocas de transição da natureza que tanto amam. O solstício de inverno, por exemplo é chamado de Queda das Folhas. Nesta noite, todos os druidas e habitantes da floresta reúnem-se numa clareira e dançam e festejam a noite toda; nenhum outro festejo ocorrerá até O Renascer, alguns meses depois. O Renascer é o equinócio de primavera; nele, os povos da floresta reúnem-se novamente na mesma clareira em que se reuniram na Queda das Folhas e, comandados pelos druidas de Alihanna, agradecem-na pelo fim do inverno. O druida de mais alto grau então planta uma semente de carvalho no centro da clareira; se a árvore crescer, aquela clareira não mais poderá ser usada em festejos (mas se torna uma clareira sagrada).

Os Druidas

O Conclave é o conjunto de todos os druidas de Arton. Ele inclui iniciados, druidas, arquidruidas e os dois Grandes Druidas. O Conclave foi formado há muito tempo, no primeiro Concílio Druídico; as leis que regem os druidas são tão antigas quanto os mais velhos dragões.
Druidas se classificam em graus, títulos dados em consideração à suas áreas protegidas, feitos, experiência e sabedoria em geral. Cada grau possui certas atribuições no Conclave e deve proteger determinadas áreas. Em geral, um druida de primeiro grau (também chamado iniciado) possui uma área de até 10 hectares como seu terreno protegido. O iniciado pode se ausentar de seu terreno protegido, mas deve retornar a ele pelo menos uma vez por ano. Um druida de segundo grau (também chamado adepto) tem sua área protegida aumentada exponencialmente (100 hectares), e não pode ausentar-se dela por mais de seis meses. Um druida de terceiro grau (ou apenas druida) possui uma posição plenamente definida no Conclave. Suas áreas aumentam ainda mais, atingindo pequenos reinos quase inteiros (1000 hectares)! Druidas de terceiro grau não podem ausentar-se de suas terras protegidas, embora isso não seja um grande problema considerando-se o tamanho de suas terras…
Um druida de quarto grau é comumente chamado arquidruida. Arquidruidas são responsáveis por imensas áreas de seus continentes. Os nove arquidruidas de Arton-norte são responsáveis pelas seguintes áreas: Floresta de Naria e Reino Greenleaf; toda a região englobando Petrynia, Fortuna, Lomatubar e Tollon; toda a região englobando Bielefeld, Portsmouth, Hongari, União Púrpura, Sambúrdia e Pondsmânia; toda a região englobando Ahlen, Tyrondir, Deheon, Yuden, Zakharov, Namalkah, Callistia e Nova Ghondriann; Montanhas Uivantes; Grande Savana; Deserto da Perdição; Montanhas Sanguinárias (incluindo Sckharshantallas e Trebuck); Montanhas Lannestull.
Existem apenas dois druidas de quinto grau por vez, e eles são chamados Grandes Druidas. Sua influência se estende por todo o continente em que vivem (Arton-norte ou Arton-sul). O atual Grande Druida de Arton-norte é Razlen Greenleaf, e o Grande Druida de Arton-sul foi morto pela Aliança Negra e não foi substituído até agora.
A mudança de grau se dá através de diversas maneiras. Usualmente, um druida mais velho (ou o próprio detentor do posto) se encarrega de testar o requerente, seja em combate ritual, através de testes de caráter religioso, ou mesmo exigindo o cumprimento de missões perigosas. A ascensão para o status de Grande Druida geralmente se dá apenas após a morte do Grande Druida anterior; é considerado desrespeitoso desafiá-lo para o combate ritual (embora isso já tenha acontecido algumas vezes na história do Conclave).

 

A imagem de capa é de autoria de Andreas Rocha.

About Álvaro "Jamil" Freitas

Jamil, o único kender de Arton (druida 11, Neutro), descobriu que tinha um alter ego humano em outro plano de existência, chamado Álvaro Freitas (ranger 3/ladino 4/bardo 5, Neutro e Bom). Eles volta e meia aparecem como convidados especiais em crossovers.