Iniciativa TRPG: Igreja e dogmas de Valkaria

A Iniciativa Tormenta RPG está de volta! Para quem não conhece, é uma proposta entre os usuários do Fórum Jambô para criar mais material para o mundo de Tormenta RPG. O […]

A Iniciativa Tormenta RPG está de volta! Para quem não conhece, é uma proposta entre os usuários do Fórum Jambô para criar mais material para o mundo de Tormenta RPG. O tema deste período é “Igrejas e Dogmas”. E resolvi revisitar uma série de textos que escrevi há muitos anos sobre várias igrejas e religiões do mundo de Arton. O resultado vai aparecer aqui em doses homeopáticas; o primeiro falou sobre igrejas relacionadas a Khalmyr, o Deus da Justiça; este segundo vai revelar mais sobre os clérigos e a ordem de Valkaria, Deusa da Humanidade.

Quem não tem ambição, não chega a lugar nenhum

Valkaria, a deusa da humanidade, da ambição e da evolução, tem um papel muito especial na história do Reinado. Graças à sua intervenção sobre a caravana de refugiados de Lamnor, o povo sobrevivente à Grande Batalha encontrou um novo lar e um novo começo.
Estranhamente, embora todo o povo devesse sua salvação à deusa, poucos a reconheciam. A maioria acreditava que a “deusa” provinha dos delírios de Roramar e seus seguidores. Por isso e por outras razões, mais políticas do que religiosas, surgiram os outros reinos componentes do Reinado.
Por muitos séculos, o único reino que reconhecia Valkaria como deusa maior era Deheon. Todos os reinos adjacentes repeliam o culto à deusa como proveniente de insanidade ou fanatismo. Outros acreditavam que a deusa fosse apenas uma deusa menor. Os sallistickianos sempre se aproveitavam da fraqueza dos clérigos de Valkaria fora de Deheon para comprovar sua teoria de inexistência do poder divino.
Porém, tudo isso mudou em tempos recentes, com a libertação da deusa de seu cativeiro por um grupo de aventureiros. O culto à Valkaria encontra-se em franca expansão – e sua associação com aventureiros só torna essa expansão ainda maior e mais genuína.

A Ordem de Valkaria

Fundada por Roramar Pruss, o primeiro rei de Deheon e fundador do Reinado, a Ordem de Valkaria se estabeleceu no mesmo ano da fundação da cidade de Valkaria, 1020. Organizada de maneira hierarquizada e tradicional, a ordem teve um bom número de noviços em seu início, mas acabou se estagnando e ganhando poucos adeptos mais profundos do que o simples crente na deusa.
Roramar se entristecia muito com isso. Além de ser o sumo-sacerdote da deusa e de cuidar da Ordem de Valkaria, o velho senhor também era o Imperador-Rei e detentor de grande poder político – o que dificultava sua dedicação irrestrita à ordem. Alguns meses antes de sua morte, Roramar resolveu que não poderia manter associados o governo e a religião.
Assim, o manto escarlate do sumo-sacerdócio foi passado a Owen Brightstaff. Owen surpreendeu-se com a nomeação, mas aceitou bem o cargo, e instituiu-se uma dinastia de Brightstaffs no comando da ordem. O povo de Valkaria se habituou profundamente aos Brightstaff em associação à liderança da Ordem de Valkaria – quando soube-se que o sucessor de Gellen Brightstaff seria o jovem ferreiro Hendd Kalamar, muitos se assustaram, vendo nisso outro sinal do fim dos tempos.
O papel da Ordem de Valkaria em Deheon é extremamente importante. Todos os Imperadores-Reis de Deheon são confirmados pelo sumo-sacerdote de Valkaria. Os membros da Ordem também detém papel importante na Justiça, servindo como juízes e prelados, e também na guerra, comandando tropas inteiras e utilizando magias de combate em massa com grande presteza. As crianças são abençoadas ao nascer pelos clérigos de Valkaria, no costumeiro ritual do batismo (onde as meninas são ungidas com mel e os meninos, com vinho).
Outros ritos importantes da Ordem de Valkaria são o culto semanal no dia do descanso (vide O Calendário Artoniano), onde os devotos oram à deusa e recebem forças para trabalhar no dia seguinte; o casamento, feito em templos dedicados à deusa – neste rito, os noivos dão as mãos e trocam alianças de prata, que recebem a bênção do clérigo, associando-as para sempre; e o enterro, onde o morto é enterrado com o símbolo de Valkaria sobre o corpo e um feixe de verbena às mãos (para impedir o retorno como morto-vivo).

O clericato de Valkaria

O sacerdócio na Ordem de Valkaria é razoavelmente concorrido na cidade de Valkaria e em Deheon, em geral. Os clérigos costumam provir de todo tipo de antecedente, desde camponeses até nobres, passando por todo tipo de pessoas. Por sua grande tolerância, a Ordem de Valkaria aceita clérigos e paladinos de qualquer raça. Não há testes específicos para a admissão nos treinamentos, mas muitos dos que iniciam os estudos acabam desistindo.
O treinamento dos clérigos é feito no Grande Templo de Valkaria, na cidade sob a deusa. Lá, os noviços vivem pelo menos 3 anos, aprendendo cerimônias religiosas, estudando e recebendo treinamento em combate. Após os três anos de noviciado, há a cerimônia do ordenamento, em que o jovem clérigo recebe seu símbolo sagrado de bronze e cobre. Após essa cerimônia, ele deve partir em sua primeira viagem de exploração sob as bênçãos de Valkaria.
O maior problema que afeta os clérigos de Valkaria é o preconceito que enfrentam em suas viagens. Mesmo hoje em dia, não são muitos de fora de Deheon que levam a sério a existência de sua deusa. Clérigos de Valkaria sempre tentam converter e espalhar a palavra de sua deusa para outras pessoas, em especial fora de Deheon.

 

A imagem de capa é de autoria de Eduardo Francisco.

About Álvaro "Jamil" Freitas

Jamil, o único kender de Arton (druida 11, Neutro), descobriu que tinha um alter ego humano em outro plano de existência, chamado Álvaro Freitas (ranger 3/ladino 4/bardo 5, Neutro e Bom). Eles volta e meia aparecem como convidados especiais em crossovers.