Um playtester encurralado

Dica dada por Eduardo, um amigo que freqüenta a RPG.net: um dos usuários dos fóruns de lá, com o apelido de SpinachCat, disse que encurralou um playtester da 4e e conseguiu tirar dele algumas informações sobre o jogo. Se quiser, pode ler o post original aqui. Eu vou traduzir apenas a parte que é realmente nova.

Ela trata da facilidade de improvisar manobras de combate e outras ações não-previstas pelo sistema. Ironicamente, estava reclamando ontem com o Eduardo justamente por não ter visto nada de concreto sobre o sistema incentivar a inventividade dos jogadores.

Ele sabe que eu gosto de B/X & OD&D porque eles são rápidos e liberais, onde a criatividade dos jogadores não é atrapalhada pelas regras. Meu surrado playtester alega que a 4e favorece a interpretação e a criatividade dos jogadores é bem recompensada através do uso de testes de habilidades e desafios de perícias. No geral, ele diz que há uma mentalidade de “isso é legal, faça!” sobre como as regras são apresentadas. As descrições dele me lembraram bastante os jogos de Roll & Keep como L5R e 7th Sea – não as mecânicas, mas a combinação de idéia legal + modificador apropriado + rolagem do dado contra um número-alvo, onde a idéia legal é o componente-chave.
(…)
Claro, há mestres de 3.X que inventam e não ligam de ir além das regras, mas ele alega que a 4e criou uma flexibilidade nas regras que encoraja os jogadores a “tentarem coisas” que vão além de seus poderes à vontade, especialmente no uso criativo de perícias. Eu suponho que algumas pessoas (especialmente novatos) precisam de uma afirmação mais concreta de que você pode ir além das regras. Em essência, a 4e tornou os resultados das perícias mais flexíveis, baseados mais na história que em DC X = efeito pré-definido.
Ele alega que o Livro do Mestre entra em detalhes para auxiliar os mestres a sentirem-se mais confortáveis ao usar esta flexibilidade em seus jogos. (…) Mas o mais importante: o playtester diz que seu grupo está gastando mais tempo interpretando que na 3.X. Apesar disso ser em grande parte porque a 4e aproveita-se melhor de sua mecânica básica, com menos “pedecinhos estranhos”, então menos tempo é perdido consultando livros durante a sessão.
Ele enfatizou bastante como a 4e passa uma sensação parecida com o OD&D. Eu falei para ele largar a bebida. 4e é obviamente muito mais fantasioso e codificado. Bruxos dragonborn sem tendência e com 40 PV no 1º nível não é nada OD&D. Ele concordou, mas disse que está divertindo-se mais jogando D&D do que nunca. Ele diz que seus jogos são constantemente divertidos e desafiadores. Ele estava sorrindo como um completo idiota ao longo de toda a conversa, então acredito que ele está sentindo algo com a 4e comparável à nostalgia dele em relação aos seus primeiros jogos.
Nós também conversamos sobre sinergia de equipe, porque eu ouvi uma quantidade surpreendente de relatos de TPKs {Total Party Kill, quando o grupo todo morre} na D&DXP. Ele acha que a 4e será um desses jogos “fáceis de aprender, difíceis de dominar” onde a curva de aprendizado é bastante fácil no início, mas à medida que os jogadores e o mestre aprendem mais sobre táticas e sinergia das habilidades, o jogo se tornará mais intenso. Ele diz que o Livro do Mestre enfatiza repetidamente que o combate não é mestre contra os jogadores, mas ainda assim a coisa pode ficar feia.
O playtester tagarelou mais sobre múltiplos TPKs e como eles se resumiam ao mestre usar táticas de guerrilha e saber jogar direito com os papéis dos monstros. Ambientes interativos estão mais presentes do que nunca. A 4e parece gostar do conceito que o ambiente do campo de batalha sozinho pode ser um adversário. Quão bem um grupo funciona em equipe e quão bem eles manipulam o campo de batalha supostamente fará mais diferença que seus poderes ou quinquilharias mágicas.

Me parece bom. Exceto que o OD&D pode ser jogado sem um tabuleiro. Meu playtester disse que você pode jogar a 4e sem um mapaquadriculado tão bem quanto você podia na 3e. Por isso, enfiei a cabeça dele de volta na água. Você tem de descaracterizar um bocado com a 3e para jogar sem tabuleiro. Eu fiz, mas fiz com regras da casa para lidar com os Ataques de Oortunidade e todos os talentos que afetam os AdOs. Assim que o deixei voltar a respirar, o playtester concordou. A 4e concentra-se bastante na estratégia 3D para combate. Sem dúvidas. Movimentação tática é bastante enfatizada. Arrancá-la é possível, mas a WotC não está para brincadeiras. Eles querem que você compre as miniaturas e os mapas de dungeons deles. Não é algo essencial para jogar, como no Descent, mas é básico para o jogo de uma maneira ao menos tão presente quanto no 3.x.

Fonte: RPG.net
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5 Resultados

  1. valberto disse:

    Ok, eu acho que posso me aposentar como DM e colocar o livro para mestrar. Em que voltagem ele funciona?

  2. Pobre playtester, tão ingênuo. Hehehehehhe

  3. Phil Souza disse:

    O interessante aqui é saber até aonde isso é um fato real ou um “viral” para espalhar boas idéias sobre a nova edição, afinal assim sempre fica mais emocionante.
    Diga-se de passagem, o negócio é chamar o capitão nascimento ou o jack bauer pra “interrogar” um desses indivíduos. Vamos ter notícias quentinhas da versão 4.5 de D&D antes mesmo dela existir… 😀

  4. Xanditz disse:

    Em cu ralado… heheheheheheh… Sério, eu ainda acho que jogar com miniaturas é palha. Pra ser obrigado a jogar com mapa eu prefiro voltar pro war! =p

  5. CF disse:

    Cara, miniaturas tem lá seu mérito. No jogo do Star Wars Saga que o Eduardo está mestrando temos miniaturas e elas deixam o jogo bem mais diferente e tático.
    Claro. Eu ainda sou fã de não usar miniaturas e deixar a movimentação livre. Mas isso é porque eu prefiro um estilo de jogo mais “swashbuckleresco” e menos tático.
    No final, é questão de gosto do freguês. Provavelmente vou deixar a 4E para jogos mais táticos e usar o True20 ou o Mutants & Masterminds para os mais livres.

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