Os Formatos de Magic: the Gathering, Parte I

Fala galera. É, já faz um bom tempo que não posto nada aqui no RPGista, mas é que eu não tava muito empolgado pra escrever; há muito que não jogo […]

Fala galera. É, já faz um bom tempo que não posto nada aqui no RPGista, mas é que eu não tava muito empolgado pra escrever; há muito que não jogo uma partidinha de RPG! Mas no ano passado um antigo hobby da adolescência me chamou a atenção, e eu voltei a jogar Magic: the Gathering (o famoso card game) com força total. Procês terem idéia, até montei uns decks Standard e me arrisquei num FNM!

“Peraê, Pedro. Standard? FNM? Quidiabo cê tá falando?” Pois é, por trás do simples fato de Magic ser um jogo de cartas, temos uma verdadeira biblioteca de termos e noções relevantes para aqueles que querem se aprofundar no assunto. E decidi compartilhar o pouco que aprendi até agora com vocês, voltando a postar no RPGista, mas dessa vez majoritariamente sobre Magic (mas eu posso trazer um artiguinho de RPG de vez em quando, hehehe).

Quando você monta um deck, uma das primeiras perguntas que podem lhe fazer sobre ele é “pra que formato é esse seu deck?” Mas afinal, o que são esses formatos? Jogando com seus amigos na mesa da cozinha, você não precisa se preocupar com eles, nem com suas regras e restrições, mas se você quer participar de torneios de Magic, é importante conhecer as diversas modalidades de se conjurar mágicas. Os diferentes formatos existem para organizar o cenário competitivo do jogo; assim como, por exemplo, um atleta de natação pode apresentar desempenhos diferentes a depender do estilo de nado empregado (crawl, peito, borboleta, costas, etc.), decks de Magic apresentam necessidades e desempenhos diferentes a depender do formato em que são utilizados.

Resumo das regras básicas de Magic: the Gathering – um duelo tradicional de Magic consiste em dois jogadores, ambos com seus respectivos decks; eles começam com uma mão de sete cartas e vinte pontos de vida à disposição; e para se vencer, é preciso levar os pontos de vida do oponente a zero (embora existam outras formas de se fazer o oponente perder o jogo). Os jogadores alternam-se em turnos, onde cada um compra uma carta do topo do deck, baixa terrenos de sua mão e os utiliza para gerar mana, energia mágica necessária para pagar os custos das outras cartas do deck, que são as mágicas. As principais mágicas são as de criaturas, que podem atacar o oponente, causando dano e diminuindo seus pontos de vida; logicamente, seu oponente pode baixar suas próprias criaturas para bloquear o avanço das suas, ou para contra-atacar. Existem outros tipos de mágicas, como artefatos e encantamentos, feitiços e mágicas instantâneas, e os poderosos planinautas (ou planeswalkers), aliados com habilidades próprias que podem ajudá-lo a conquistar a vitória. Por fim, as mágicas dividem-se em cinco cores de mana: branca, azul, preta, vermelha e verde; cada uma é produzida por um tipo específico de terreno – entre os básicos: Planície (Plains), Ilha (Island), Pântano (Swamp), Montanha (Mountain) e Floresta (Forest), respectivamente -, e possui vantagens e desvantagens próprias.

Nesse artigo, que compõe a primeira parte do nosso guia para conhecer os diversos formatos do Magic, vamos nos concentrar nos formatos coletivamente conhecidos como Construídos. Mas o que significa construído? É o que veremos a seguir.

Construído: o termo “construído” (ou Constructed) compreende uma variedade de formatos cuja principal característica é que você constrói o seu próprio deck de antemão, com cartas que você possui ou pegou emprestado dos amigos. Quando se participa de um torneio construído, é preciso registrar que cartas fazem parte do seu deck em uma lista, e entregá-la aos organizadores do evento (caberá a eles e aos juízes verificar se não há nenhuma irregularidade). A maioria dos formatos construídos possui algumas regras em comum:

  1. Seu deck deve conter no mínimo sessenta (60) cartas; você pode jogar com uma quantidade maior (decks que usam Battle of Wits (Batalha de Raciocínio) costumam usar cerca de 250 cartas, por exemplo), mas nunca com menos de 60. É recomendado usar exatamente 60 cartas por deck, assim você aumenta a probabilidade de comprar uma determinada carta quando necessário.
  2. Você pode usar um conjunto de zero a quinze cartas adicionais, que compóem o chamado Sideboard; durante as rodadas (que são disputadas em melhor-de-três), você pode trocar ou adicionar cartas do seu Sideboard por cartas do seu deck, a partir do segundo jogo de cada rodada. Um Sideboard permite que você possa utilizar cartas que não são úteis contra todo e qualquer deck em geral, mas que são particularmente efetivas contra categorias específicas de decks (exemplos típicos de cartas de Sideboard são os Círculos de Proteção). Apesar de ficarem em separado do deck principal, as cartas do Sideboard são igualmente importantes na estratégia do seu deck.
  3. Com exceção dos cinco terrenos básicos, você pode utilizar até no máximo quatro cartas com o mesmo nome – ou, melhor dizendo, quatro cópias da mesma carta. Uma dica: nem todas as cartas do seu deck precisam de quatro cópias; é recomendado usar quatro cópias de cartas essenciais para sua estratégia (como, por exemplo, Llanowar Elves (Elfos de Llanowar) para decks que querem ter rápido acesso a grandes quantidades de mana, também conhecidos por “ramp”), mas pode-se usar três, duas ou mesmo uma única cópia de outras cartas.
  4. Uma quantidade significativa de formatos construídos apresenta cartas banidas, isto é, que não podem ser em nenhum deck do formato, independente da quantidade. Uma carta famosa pelo seu alto poder, e por ter sido banida de diversos formatos, é o planinauta Jace, the Mind Sculptor (Jace, o Escultor de Mentes).

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Standard: é o formato padrão do Magic, e o mais popular (mas não o único) no cenário competitivo; torneios de Standard abrangem desde os eventos conhecidos por Friday Night Magic (ou FNM), que ocorrem toda sexta nas lojas de RPG e card games de sua cidade, até os torneios mais importantes, como os Grand Prix, os Pro Tours e os Campeonatos Mundiais. A principal característica do formato é que apenas cartas das coleções mais recentes – mais precisamente, dos dois últimos anos – podem ser utilizadas na construção dos decks; isso significa que, a cada ano, geralmente em setembro ou outubro, uma grande quantidade de cartas das coleções mais antigas abandonam o formato enquanto as cartas da coleção mais nova lançada juntam-se ao Standard: esse processo é conhecido por rotação do formato.

Exemplo: até outubro de 2013, as coleções de Innistrad, Ascensão das Trevas, Retorno de Avacyn, Magic 2013, Retorno a Ravnica, Portões Violados, Labirinto do Dragão e Magic 2014 compuseram o antigo Standard; com o lançamento de Theros, o bloco de Innistrad e Magic 2013 deixaram o formato, enquanto Theros passou a fazer parte do Standard. Em fevereiro, as cartas de Nascidos dos Deuses juntar-se-ão ao formato a partir do lançamento da coleção.

Modern: ao contrário do Standard, o Modern não apresenta rotação; todas as cartas lançadas desde a Oitava Edição até Theros – e, em breve, Nascidos dos Deuses – podem ser utilizadas nos decks do formato. Modern está se tornando um formato cada vez mais popular e suportado em torneios sancionados; recentemente ganhou uma coleção própria de cartas reimpressas para os jogadores do formato, Modern Masters; e foi anunciado um deck semi-competitivo para os jogadores interessados, o Modern Event Deck. Uma vez que Modern não apresenta rotação, e possui uma grande quantidade de cartas disponíveis para a construção de decks (afinal, a Oitava Edição foi lançada em 2003!), o formato apresenta um grande potencial para decks dos mais variados tipos e estratégias.

Legacy: assim como Modern, Legacy também é um formato que não apresenta rotação, e com uma quantidade de cards disponíveis sempre crescente, à medida em que novas coleções são lançadas. Ao contrário de Modern, em Legacy é permitido usar cartas de toda e qualquer coleção de Magic já lançada, incluindo as mais antigas como Alpha e Beta (com as primeiras cartas do jogo, de lá 1993), e produtos suplementares como Planechase (por exemplo, a carta Baleful Strix, lançada em um dos decks Planechase, é uma das mais utilizadas do formato). Ao contrário de Modern, no entanto, Legacy enfrenta um problema espinhoso: a Lista Reservada, uma seleção de cartas que não podem ser reimpressas; enquanto muitas das cartas presentes nessa lista não são importantes para o formato, outras são indispensáveis, como os primeiros terrenos duais (Tundra, Taiga e cia.).

Black Lotus (Alpha)Vintage: o formato Vintage pode ser encarado como uma variação do Legacy, uma vez que também não rotaciona e permite cartas de qualquer coleção do jogo; mas há diferenças importantes: muitas cartas banidas em Legacy são restritas – ou seja, podem ser usadas, mas apenas uma cópia por deck – em Vintage; é o caso das famosas Black Lotus e Moxes. Há cartas banidas em Legacy e válidas em Vintage, e vice-versa; porém, de regra geral, as cartas mais comumente banidas do Vintage o foram não por serem poderosas demais, mas por não representarem mais o jogo: é o caso das cartas de apostas (“ante”) e cartas que exigem destreza manual do jogador (como a lendária Chaos Orb).

Pauper: o formato Pauper na verdade é uma variação que pode ser aplicada a outros formatos Construídos, como Standard ou Modern. No Magic Online (ou MTGO, a plataforma oficial da Wizards que permite comprar cartas digitais e participar de torneios pela internet), o formato Pauper aplica-se principalmente ao Classic, um formato exclusivo do MTGO. A principal diferença do Pauper para os outros formatos é que apenas cartas comuns são permitidas. Por um lado, sem as poderosas raras e míticas, pode parecer que Pauper seja um formato fraco e desinteressante; mas como um dos maiores entusiastas do formato (apesar de não poder jogar quase nada), digo a vocês que ele é muito mais divertido e desafiador do que poder-se-ia pensar à primeira vista. E o Pauper tem um outro atrativo: é um dos formatos mais baratos do Magic, uma vez que são poucas as cartas comuns cujos preços no mercado secundário chegam a rivalizar com as raras e míticas.

Commander/EDH: Commander é um formato construído, uma vez que você deve ter um deck já montado para jogar, mas em sua essência não é um formato competitivo (até existem torneios de Commander, mas eles não compõem a alma do formato, na minha opinião). Commander é um formato casual, voltado para aqueles que jogam com os amigos na mesa da cozinha (ou em outro lugar, não importa onde), e cujo principal objetivo não é a vitória rápida, eficiente e consistente, mas a diversão. Commander apresenta regras muito diferentes as regras dos demais formatos construídos (e que abordarei em detalhes em outro artigo), mas resumindo: você só pode usar uma cópia de cada carta, seu deck deve ter 100 cartas, seu deck deve usar uma criatura lendária como general, as cores das cartas permitidas no seu deck são vinculadas às cores do seu general, etc.

Por enquanto ficaremos por aqui; na segunda parte, veremos os formatos que se enquadram no espectro conhecido por Limitado. Até a próxima!

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Sobre Pedro Sena

Bacharel em Física, Pedro é natural de Salvador, BA, e é um grande fã de RPGs, games eletrônicos e suas trilhas sonoras, certas séries britânicas, Digimon Xros Wars (mas não Fusion ou Hunters), e Magic: the Gathering (preferencialmente gastando pouco). Fora isso, é gordo e míope, nada muito diferente desses CDFs que andam por aí.