Resenha: Beat’em Up!

Gosto de jogos de RPG independentes. Gosto de jogos de pancadaria clássicos. Quando vi que alguém tinha resolvido juntar ambos, meu pensamento imediato foi “porque ninguém fez isso antes?”. Vamos […]

Gosto de jogos de RPG independentes. Gosto de jogos de pancadaria clássicos. Quando vi que alguém tinha resolvido juntar ambos, meu pensamento imediato foi “porque ninguém fez isso antes?”. Vamos admitir, não há como duvidar que uma ampla vertente do RPG é centrada em combate e pancadaria. E centrar um RPG justamente nesse tipo de cenário de pancadaria é uma decisão que faz pleno sentido.

O jogo Beat’em Up! foi desenvolvido por Daniel “DM” Martins, do blog D+1, durante o RPGenesis 2012, um desafio luso-brasileiro de criação de novos RPGs num período de uma semana. Não conheço o autor, mas posso dizer que o trabalho ficou conciso e bem fundamentado.

Beat’em Up! começa com uma introdução ao conceito do jogo, e sua inspiração original – jogos de pancadaria dos arcades (fliperamas) dos anos 1980 e 90. O próximo capítulo, ainda explicativo, me parece atender mais às expectativas de um jogo inscrito num concurso, com respostas às famosas três questões fundamentais de Jared Sorenson. O jogo assume que os jogadores já conhecem RPG – o que não é ruim, mas o produto me parece ter potencial para servir como porta de entrada para novos jogadores, e se beneficiaria desse tipo de texto “RPG para leigos”.

A seguir, temos instruções para a criação de personagens e como é o desenrolar do jogo. E é aqui que as coisas vão ficando interessantes. Uma série de pequenas coisas que só quem teve o prazer de jogar fliperamas de pancadaria vai reconhecer, como comida encontrada no chão, um grupo de personagens com objetivos como “salvar a filha do prefeito”, ataques especiais que custam energia vital do personagem, e marcadores de ficha (fichas mesmo, aquelas de fliperama) para voltar ao jogo após ser derrotado, entre outras pequenas maravilhas.

A apresentação gráfica de Beat’em Up! é outra pérola. Além de uma diagramação bem feita e de leitura agradável (inclusive em tablets), as referências visuais e ilustrações tiradas de jogos de pancadaria clássicos só tornam o jogo mais divertido, rápido e fácil de ler.

Em suma, Beat’em Up! merece sua atenção, e pelo menos um playtest. Ah sim! Segundo o autor, a UNZA RPG declarou estar interessada em publicar o livro. Ou seja, eventualmente, poderemos ter até uma versão física (Com tokens em papel cartão? Fichas de fliperama inclusas? Minha imaginação está a mil). Por enquanto, se você gostou da ideia, pode se contentar com a versão para download, que pode ser encontrada no tumblr D+1.

About Álvaro "Jamil" Freitas

Jamil, o único kender de Arton (druida 11, Neutro), descobriu que tinha um alter ego humano em outro plano de existência, chamado Álvaro Freitas (ranger 3/ladino 4/bardo 5, Neutro e Bom). Eles volta e meia aparecem como convidados especiais em crossovers.