O perdão de meus crimes

Havia cometido três crimes hoje. O fardo de carregar tal culpa era colossal. Me sentia imundo. Os assassinei em menos de duas horas e agora estava sentado, sozinho, perdido em pensamentos. Lágrimas percorriam meu rosto enquanto eu tentava tirar aquilo tudo de dentro de mim. Doía, demorava, mas eu persistia. Me agarrava na vontade de purificar meus atos. Voltar a me sentir limpo, sem culpa, sem ostentar as marcas dos crimes.

De pouco em pouco sentia meu esforço gerando os primeiros resultados. A ponta do iceberg de todos aqueles problemas, lembranças dos meus atos sórdidos, se mostrava. Era o início de uma longa jornada, como quando vemos um trem passar com seus compridos vagões formando uma centopéia sobre rodas e trilhos. Uma tripa metálica que percorre seu caminho sem hesitar.
Eu usava aquele momento raro, de privacidade forçada, para rever conceitos e atitudes. Ali eu me sentia seguro e encontrava as forças que precisava para evacuar o que manchasse minha alma. No entanto, sabia que o ritual seria recorrente e que, no dia seguinte, cometeria mais alguns atentados e assassinatos, para depois expulsar minha culpa como quem queima algumas calorias em uma esteira de academia.
E assim fui me livrando da culpa, do fardo. Com o rosto vermelho de raiva, veias despontando pela face franzida como que em grande esforço, ia me livrando do mal que me acometia. Um corpo deixava outro. Ambos mais leves. No entanto somente um flutuava: aquele que girava e descia pela descarga.

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10 Resultados

  1. leodeleao disse:

    HAHAHAHAHAHAHAHA… mt bom…

  2. Tiago Lobo disse:

    Opa, legal que gostaram 🙂
    Vou ver se posto mais contos por aqui.
    Esse conto é um estudo que fiz sobre a Teoria do Iceberg, colocando na prática pra ver se eu conseguia aplicar. Acho que deu certo.

    • Jagunço disse:

      Hauhauhauhauhauhauhaua… Realmente nunca vi sob ótica tão poética! Mas a teoria podia mudar de nome, agora, que tal? XD

      • Tiago Lobo disse:

        Não rola pois a Teoria do Iceberg não é minha. Mas já posso dizer que sou um contista, literalmente, com merda na cabeça 🙂
        O grande lance que me levou (também) a escrever esse conto foi experimentar a sensação de criar algo engraçado sem fazer uso do humor explícito. Tudo é sugerido, a atmosfera gera um estranhamento que torna as coisas engraçadas. É interessante ver como a ótica flutua de acordo com o que é exposto.

  3. MalkavFelipe disse:

    Final surpreendente 0___0
    AUHEDauehauheau
    Muito bom ^^

  4. Arquimago disse:

    Huahuahuahua, muito bom! Porem não posso dizer que não esperava o final, algo me dizia que seria isso, será que foi a foto?
    Se sair mais alguns vou ler!

  5. Emanuel Braga disse:

    haaha
    Que merda hein?

  6. Tiago Lobo disse:

    Pois é, acontece! Hehehhe.

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