Resenha: Guia do Mundo dos Reinos de Ferro

Atenção: Esta resenha contêm spoilers, mas se você é fresco até pra isto, o que está fazendo nos Reinos de Ferro? Jogue feito homem!

Até a ruiva gostosa joga feito homem!


Um dos maiores livros já publicados no Brasil, o Guia do Mundo até pouco tempo só conhecia rival em tamanho para o Guia de Personagens dos Reinos de Ferro, livro irmão lançado no final de 2007 com o qual forma um único e impressionante tomo de oitocentas páginas de material para aqueles que desejam se aventurar por Immoren Ocidental.
Enquanto o Guia dos Personagens se dedica única e exclusivamente em prover jogadores e mestres com raças, etnias, novas classes básicas e de prestígio e centenas de outras regras e noções básicas do cenário, o Guia do Mundo concentrasse apenas em descrever o continente de Immoren Ocidental da melhor maneira possível.
As primeiras cento e trinta páginas ocupam-se apenas de descrever como este mundo funciona: economia, entretenimento, governos e sociedade em geral. Lendo estas páginas você pode ser invadido por uma sensação gostosa de conhecimento. Depois de ler você literalmente sabe como o mundo funciona. A descrição pesada de coisas simples às vezes até engana os desatentos. Demorei cerca de um minuto para perceber, depois de ler determinada passagem, que os autores estavam a descrever o cinema mudo, por exemplo.
Não se assuste, você leitor incauto dos encantos dos Reinos de Ferro, com tal nível tecnológico. Não é a toa que o cenário é muitas vezes descrito como a Primeira Guerra Mundial com magia e gigantes-de-guerra no lugar de tanques. Cygnar inclusive detém a tecnologia para construção de submarinos!
Aqueles que leram o Guia dos Personagens talvez estejam mais familiarizados com o termo pré-Primeira Guerra Mundial, mas isto agora é passado. Khador fez seu movimento e com a incrível traição do Primeiro Ministro para com seu próprio povo, conquistou Llael facilmente! As implicações de tal invasão são sentidas em todo o cenário. A subseqüente guerra entre Cygnar e Khador dá a brecha para a insurreição dos fanáticos religiosos do Protetorado de Menoth estourar, enquanto Lorde Toruk, o dragão ancestral e divindade que governa a nação insular de Cryx, aproveita o caos parar jogar suas monstruosidades mortas-vivas contra o continente.
Desde o início do cenário os autores colocaram em prática a teoria que os Reinos de Ferro são um cenário vivo e em constante atualização, e se os jogadores irão fazer parte dessas atualizações, como acontece na Trilogia Fogo das Bruxas que deu origem ao cenário, é uma escolha completamente deles. Assim, os eventos se sucedem com velocidade bastante elevada, e se os jogadores as vezes perdem alguma opção, logo se abre uma nova. Não gostou da conquista de Llael? Que tal fazer parte da resistência llaesa e chutar a bunda de alguns khadoranos? Quer bater nos cygnaranos ao invés? É só escolher entre as muitas opções. Um paladino de Menoth em conflito entre o bem e as ordens do Hierarca, um khadorano lutando pela Terrã-Mãe ou mesmo um Skone sob o comando de Vinter Raelthorne ou necrotécnico de Cryx!
As mais de duzentas e sessenta páginas seguintes são gastas descrevendo em detalhes todas as regiões de Immoren Ocidental. Cada reino humano principal tem um capítulo para si, mesmo a ocupada Llael, enquanto Rhul, Ios, Cryx e demais regiões ocupam um último e extenso capítulo. Estas páginas são recheadas com plots ocultos e oportunidades para aventuras. Se você já leu o suplemento O Reinado, de Tormenta, vai achar a própria estrutura destes capítulos mais ou menos similar. Cada cidade é descrita com ainda mais atenção que no suplemento brasileiro, trazendo população total dividida por etnias e raças, exportações e importações, forças armadas e personagens notáveis. É algo realmente gostoso de se ler e traz mil e uma idéias tanto de aventuras quanto de personagens ligados a um ou outro reino ou cidade.
O livro termina com vários apêndices trazendo erratas de outros livros da linha, uma lista de personagens citados no livro e outras coisas mais. A encadernação está melhor que no Guia dos Personagens e quaisquer páginas soltas, dessa vez, serão única e exclusivamente de responsabilidade de quem está manuseando o livro.
É, sem sombra de dúvida, o melhor livro de cenário hoje no mercado e minha recomendação pessoal e, a julgar pela escolha como Lançamento do Ano no Melhores do Ano de 2009 aqui no .20, também de centenas de fãs espalhados pelo país.
Guia do Mundo dos Reinos de Ferro
400 páginas P&B, capa dura.
R$ 89,90 ou R$ 79,90 com frete grátis na Loja Jambô.

O exemplar que serviu de base para esta resenha foi gentilmente cedido pela Jambô Editora.

Nume Finório

Você sabe quem eu sou.

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5 Resultados

  1. Shido disse:

    Tenho uma crítica, Nume — texto curto demais! Para um suplemento dessa magnitude, pelo menos umas 6000 palavras, homem!
    A parte de querer bater nesse ou naquele outro país é bem meh, mas a parte de cento e trinta páginas falando apenas de como o mundo *funciona* e como seus habitantes, de fato *vivem* me deixou com água na boca. Com um livrão desses, fica muito mais fácil de livrar do sistema de regras tenebroso e ficar só com a parte que importa: o cenário. E que cenário. Se eu achei o livro do jogador recheado de informação temática saborosa, esse tomo vai me causar um aneurisma quando o tiver em mãos. (E provavelmente um texto enorme sobre ele.)

    • Nume Finório disse:

      Tá louco, desse jeito a resenha fica maior que o livro! Hehehe!
      Se tu gostou da parte descritiva do Guia dos Personagens é bom saber que o Guia do Mundo eleva aquilo à décima potência!
      Quanto ao artigo sobre o livro, fico no aguardo!

  2. Arquimago disse:

    Me deu vontade de comprar o livro e mudar o sistema para M&M, como eu tinha pensado! Mas o tempo tinha me tirado a idéia, acho que vou voltar com ela!

  3. Nume Finório disse:

    Que sistema? Acho que a única referência a regras no Guia do Mundo são as classes dos personagens quando citados, tipo Fulano (morridano Gue 2)

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