Artes Marciais européias

Esse é um post da INICIATIVA GURPS! Esses posts são sempre conjuntos, temáticos e periódicos. Assim, todo mês você pode conferir a visão de vários autores sobre um mesmo assunto.

O tema desta edição da INICIATIVA GURPS é Artes Marciais!

Uma coisa que me incomoda um pouco é o conceito de monges que o D&D trouxe para o jogo de RPG.
Quero dizer, eu adoro a idéia de um cara desarmado lutar contra seus inimigos mas, ao mesmo tempo, sempre achei estranho imaginar um monge shaolin andando ao lado de um paladino e um anão.
Acho que em função da grande influência da mídia, dos misteriosos ninjas e dos seus filmes, pouca coisa chega até a pessoa que não se interessa em pesquisar mais a respeito.
Horas… se uma arte-marcial é um conjunto de conhecimentos, um sistema, para treinamento de combate, é impossível que a Europa não possua figuras que tenham se dedicado ao estudo dessas práticas. Eles viviam em guerra!

Por isso, lá fui eu procurar por artes-marciais ocidentais. Crente, crente que ia encontrar umas 3 formas de luta. Ingenuidade a minha. Encontrei um monte! Algumas antigas, outras são mais modernas.
Os europeus são malignos!
Mesmo que você não utilize isso em seu jogo, acho que serve como inspiração para mostrar que mesmo Elfos, Anões e Orcs podem ter formas de luta criadas por você! Imagine misturar artes marciais com magias de combate e controle do corpo!
Esgrima:
Hoje a esgrima é um esporte, mas evoluiu de uma série de técnicas de combate armado. A partir do início da Idade Média, começam a surgir compilações e manuais de combate.
A escola Alemã
A figura central das artes marciais medievais na Alemanha é Johannes Liechtenauer. Pai da esgrima alemã, Liechtenauer que nasceu provavelmente no começo do século XIV, possivelmente em Lichtenau, Mittelfranken (Franconia).
O que se sabe sobre ele, junto com seus ensinamentos, está preservado no Manuscrito 3227a e nos vários manuais dos seus alunos e sucessores. De acordo com esse manuscrito, Liechtenauer era um grande mestre que viajou por muitas terras para aprender sua arte. Nos manuscritos do século posterior, a sociedade do Liechtenauer (Gesellschaft Liechtenauers) é conhecida como um grupo de mestres de esgrima que se consideravam discípulos de Liechtenauer, que detinham seus ensinamentos. Este termo é confirmado por Paulus Kal em 1460, e provavelmente caiu em desuso no final do século XV com o surgimento da Irmandade de São Marcos (Marxbrüder).
A escola Italiana
O primeiro manuscrito em língua italiana que se tem notícia é o manuscrito Flos Duellatorum de Fiore dei Liberi, encomendado pelo Marquês de Ferrara por volta de 1410. Neste manual ele documentou técnicas que envolvem combate corpo-a-corpo, adaga, espada de uma mão, espada longa, lanças e alabardas, combate com e sem armadura. A esgrima italiana com armas medievais ainda é representada por Filippo Vadi (1482–1487).
Savate
O Savate é uma luta desenvolvida na França na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé.
As técnicas do Savate são distintas das de outros estilos de luta como o kickboxing ou o karatê. Apenas pontapés com o pé são permitidos, ao contrário de artes marciais como o Muai Thai, que permitem a utilização dos joelhos ou das canelas.
Kampfringen
Originado das formas de combate romanas, o “agarro de combate” foi usado durante a Idade Média e Renascença. Ele emprega todas as formas de luta, do soco à luta de solo e incluía arremessos, chaves dolorosas e várias técnicas de golpes. Os praticantes também aprendiam técnicas de faca.
Um dos primeiros mestres dessa arte era austríaco e chamava-se Ott Jud.
As técnicas de luta eram pensadas para serem usadas no campo de batalha, e contra oponentes armadurados. Muitas técnicas visavam pontos fracos e juntas das armaduras.
Kampfringen desapareceu por volta do século XVIII, já que os duelos com arma-de-fogo começaram a se tornar comuns. Nessa época, agarrar e chutar alguém era considerado “deselegante”.
Pancrácio
Pancrácio foi uma antiga forma de luta desarmada que, segundo a mitologia grega teve início com os heróis Hércules e Teseu, que usavam uma mistura de técnicas de agarrar e socar contra seus oponentes, que seria muito semelhante ao nosso Vale-Tudo atual.
O pancrácio era a base de treinamento dos soldados gregos e existem feitos lendários atrelados à história da luta. O próprio Teseu teria usado a forma de luta contra o minotauro e Hércules teria derrotado o leão de Neméia.
Mais tarde, o pancrácio entrou nas Olimpíadas como uma das suas competições. No entanto, no período moderno, o pancrácio não entrou dentro da lista de esportes reconhecidos.
Gouren
Gouren é um tipo de luta-livre que se estabeleceu na França por muitos séculos, aparecendo lá no século IV, e ainda sendo praticada no século XX. Inicialmente praticada apenas pela nobreza, a arte se espalhou pelo povo, mas ainda mantém o cavalheirismo por meio de um juramento que os praticante fazem antes da luta:
“Eu juro lutar com plena lealdade
Sem trapaça ou brutalidade
Pela minha honra
E do meu país
Como prova da minha sinceridade,
E para seguir os costumes dos meus ancestrais
Eu apresento ao meu amigo
Minha mão e rosto.”
Glima
O glima é um estilo de luta-livre amadora criada na Islândia. Ele se diferencia de outros tipos de luta, basicamente, por quatro princípios:
Os oponentes devem ficar sempre eretos;
Os oponentes devem se movimentar em torno um do outro, no sentido horário;
Não é permitido cair sobre o oponente ou empurrá-lo de maneira forçosa;
Cada lutador deve manter seu olhar por cima dos ombros do oponente. A luta deve ser realizada através do tato, e não da visão.
Ele se utiliza basicamente de oito técnicas principais, cujas combinações criam mais de 50 formas para se derrubar o oponente (importante frisar que o sistema prima pela técnica sobre a força, e que é proibido derrubar um oponente de forma bruta, isto é, usando força excessiva). Existem evidências de que o sistema de luta existe desde o século XII, mas existem contos antigos que sugerem sua existência desde antes disso.
Liu-bo
O Liu-Bo deriva do “baton” (bastão) com origem na Sicília e se utiliza de um bastão como arma.
Antigamente, a técnica era ensinada de pai para filho e apenas nos últimos séculos começaram a surgir as primeiras escolas clandestinas da arte.
Os bastões utilizados tem cerca de 4 palmos e meio. Originalmente os bastões eram feitos a partir de galhos das mais diversas árvores (laranjeira, oliveira, etc), depois de algum tempo foram substituídos pelas bengalas.
Durante uma luta de liu-bo, os lutadores tentam tocar com o bastão no adversário, no entanto, sem machucá-lo.

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2 Resultados

  1. Túlio d Bard disse:

    Fiquei tentando imaginar uma cena dessa Glima…acho q vou ter que procurar no Youtube…
    Legal o post, assunto bem interessante.

  2. Fernando disse:

    Pra ajudar…
    existe ainda o savate (frances), o sambo e o systema, ambos de origem russa. Os três sao praticados ainda atualmente com alta difusão mundial!!!

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