O que sabemos da nova OGL

Desta vez eu não estava na crista da onda na hora em que a notícia chegou. Provavelmente você já leu a respeito dos planos para a nova OGL na Área Cinza, no fórum de D&D/d20/OGL da SpellRPG ou até mesmo no EnWorld.org ou no próprio site da Wizards of the Coast. Entretanto, para não deixar passar em brancas nuvens, ou para recapitular para você que não leu a respeito ainda, aí vão algumas informações sobre os planos da WotC para a Open Gaming License na 4E.

No dia 7 de Janeiro de 2008 a Wizards of the Coast chamou para uma reunião de cortesia as principais editoras de produtos d20 e OGL que demonstraram interesse em ter acesso às regras da 4e antes de sua publicação. As editoras convidadas foram:

Representando a WotC estavam Scott Rouse, Linae Foster (Administradora da Licensa), Sara Girard, Andy Collins, Bill Slavicsek e Chris Perkins.O anúncio formal deles pode ser encontrado aqui, mas eis os comentários do EnWorld.org a respeito do que entenderam na reunião.
O sistema de suporte às editoras na 4e será lançado em duas fases.
A Fase Um é para editoras que desejam ter acesso às regras da 4e mais cedo. Após terem aprendido com empresas de software, a WotC vai disponibilizar um Kit para Designers da OGL. Este kit dá acesso ao material mais cedo e é oferecido a qualquer empresa, não apenas as convidadas para a conferência. Acesso ao kit requer ser uma empresa legítima (com licensa), ter assinado um NDA (Non-Disclosure Assignment – documento que atesta que a pessoa não vai revelar essas informações) e o pagamento de uma taxa de US$ 5000,00.O kit estará disponível em uma questão de semanas, assim que vários assuntos legais forem tratados. Ele provê três versões preliminares dos três livros básicos, cópias da OGL e do SRD, e uma FAQ. As editoras continuarão a receber atualizações destas regras à medida que as mudanças forem efetuadas, uma no início de Fevereiro e possivelmente uma em Março. As editoras receberão cópias dos livros finalizados antes de sua publicação. E o mais importante: editoras que comprarem o kit poderão começar a vender produtos da nova OGL à partir de 1º de Agosto de 2008 – mais cedo que as outras.
A Fase Dois é gratuita e começa no dia 6 de Junho, quando a OGL entrar em vigor. Qualquer editora pode produzir suplementos para D&D sob as regras da OGL, mas estes não podem ser publicados até 1º de Janeiro de 2009.Efetivamente, isso significa que as editoras que pagarem a taxa de $5000 ganharão quatro meses de vantagem para vender seus produtos, poderão vendê-los na GenCon e no Natal sem muita competição, e possuirão um período de cinco meses no qual eles serão os únicos a venderem produtos da 4e. Editoras que escolherem não pagar a taxa entrarão no mercado mais tarde.Eu anotei algumas coisas durante a hora das perguntas, e as perguntas e respostas abaixo vêm das minhas anotações. Em alguns casos a informação está parafraseada, no lugar de ser a citação exata.
1. Qual o status atual das regras básicas?
O Player’s Handbook vai para a gráfica na quarta {passada}. O Monster Manual vai no final de Janeiro, e o Dungeon Master’s Guide no meio de Fevereiro. Mudanças e correções adicionais continuarão sendo feitas até o final de Março, mas as regras estão em grande parte completas. Muito do retorno dos playtesters, tanto internos quanto externos, foi incorporado.
2. Nos conte sobre a OGL e o SRD
A OGL 4E conterá alguns aspectos da antiga licença d20, e é mais restritiva em algumas áreas do que a Open Gaming License anterior. Nós estamos atrelando a OGL mais ao D&D. Há um processo gratuito de registro, uma cláusula de padrões para a comunidade, cláusulas de punição, e não tem uma data de expiração. As editoras da Fase Um que assinarem o termo de sigilo terão a oportunidade de ler a OGL antes de pagarem a taxa de $5000 para antecipação.
O SRD da 4ª edição será bem mais um documento de referência que o da 3ª. O SRD da edição atual contém quase todas as regras e permite publicações “Ctrl+C, Ctrl+V”. A WotC prefere ver as editoras usarem sua criatividade e talento no lugar de apenas reformatarem ou mudarem muito pouco das regras pré-existentes. Portanto, o SRD 4e conterá mais linhas gerais e apontamentos, e menos regras nuas e cruas.
A cláusula de padrões de comunidade seguirá o mesmo espírito da versão atual. Ela vai dar noções de o que é e o que não é apropriado para um produto compatível com o D&D. Se as editoras tiverem qualquer dúvida, elas sempre podem perguntar à WotC. Estas cláusulas aplicam-se sobre o conteúdo, e não aplicam-se (por exemplo) a uma capa frágil ou feia. Notem que isso é algo raro de ocorrer; de acordo com Scott Rouse, houve apenas um caso nos últimos dois anos no qual a cláusula de padrões da comunidade teve de entrar em efeito, e isso foi resolvido amigavelmente.
De qualquer forma, material que está aberto na OGL 3.5 continuará aberto, e não haverá nada escrito na OGL 4E que restrinja produtos da 3.0 ou 3.5.
3. Como as empresas poderão indicar compatibilidade com o D&D 4e?
Não haverá um logo para a capa. Haverá um texto específico de compatibilidade que indicará se um livro é “compatível com o Dungeons & Dragons 4ª Edição” ou algo similar. Haverá também jargões a serem inclusos no livro que conterão uma “identidade visual” oficial que relacionará o produto ao D&D.
A WotC vai trabalhar para educar os distribuidores e o mercado sobre os produtos compatíveis com o D&D, mas espera que as editoras ajudem a educar os consumidores também.
4. O material básico que for lançado será rapidamente adicionado ao SRD?
Os conteúdos lançados serão adicionados quando forem material aberto.
(Na minha opinião o Scott Rouse pareceu um pouco desconfortável quando mencionou que as regras lançadas depois seriam adicionadas {ao SRD} com presteza maior que as regras da 3ª edição foram. Isso é provavelmente um bom sinal para editoras que queiram utilizar regras e monstros de lançamentos subseqüentes).
5. Durante a Fase Um, como as regras serão distribuídas aos freelancers?
O NDA assinado pela companhia cobre seus agentes e contratados. Portanto, qualquer freelancer de uma empresa está legalmente preso ao NDA deles. As regras serão enviadas antes dos lançamentos para as empresas na forma de três cópias de um documento físico (apesar da WotC ser flexível a respeito da quantidade e poderá prover mais cópias se necessário). Companhias que trabalhem juntas como parceiras pagam apenas uma taxa.
6. Poderão as editoras de material compatível involverem-se com o Gleemax ou o D&DInsider?
As editoras são bem-vindas para apresentarem uma página de suporte aos seus produtos no Gleemax. Neste estágio os planos para integrar o apoio das editoras de material compatível ao DDI ainda estão sendo discutidos.
7. Com a OGL mais intimamente ligada ao D&D, como isso afeta o impacto futuro de jogos como Spycraft ou Mutants & Masterminds – jogos que na 3e usaram o conceito do d20 básico mas divergiram radicalmente do D&D?
A nova versão da OGL não é tão aberta a usos diferentes que a versão atual. Qualquer produto da OGL 4e deverá usar o Player’s Hanbook da 4e como base para seu jogo. Se eles não conseguem usar os livros básicos, não será possível criar o jogo sob esta versão específica da OGL.
Versões futuras da OGL, inclusive uma versão 4e do d20 Modern, poderão tornar possíveis alguns jogos que anteriormente não seriam.
8. A NDA previne editoras de anunciar que eles estão participando da Fase Um?
De forma alguma. Eles estão livres para promover seu envolvimento.
9. O programa Fase Um disponibilizará mais rapidamente às editoras os lançamentos subseqüentes (o PHB 2, por exemplo)?
Não, não vai. O programa só aplica-se ao lançamento do jogo e aos três primeiros livros básicos. Entretanto, nós provavelmente permitiremos que os desenvolvedores da Fase Um distribuam material gratuito no Free RPG Day e que mostrem (mas não vendam) livros no Origins.
10. Quem é o contato para editoras interessadas na Fase Um?
Linae Foster (linae ponto foster arroba wizards ponto com) é o contato da WotC para comprar e saber mais a respeito do OGL Developers Kit.
Nos fóruns da WotC alguém perguntou “Será possível usar o SRD para jogar o jogo?” e Andy Collinsrespondeu: “o SRD não será um substituto para o Player’s Handbook.”
Depois que alguém pediu maiores explicações, Scott Rouse completou: “Para elaborar sobre o que o Andy disse: O SRD 4e será um ‘documento de referência’ para que editoras que trabalham com a OGL 4e saibam qual conteúdo pode ser usado em seus próprios produtos. Ele fará referência a seções e passagens do D&D 4e e também apresentará linhas gerais de tabulação/formatação, como o bloco de estatísticas para monstros, para permitir haver uma consistência entre os produtos. Ele não será um livro básico empobrecido (PHB) que permitirá que você jogue D&D {só com ele}”.

Fonte: EnWorld.org
—————-
Ouvindo: Offspring – Staring At The Sun
via FoxyTunes

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: