Unknown Armies 3ª Edição

Lá nos antigos e longínquos tempos da metade dos anos 90, um RPG chamado Unknown Armies, escrito por John Scott Tynes e Greg Stolze, disparou a imaginação dos jogadores com […]

Capa do Livro Um do Unknown Armies.

Lá nos antigos e longínquos tempos da metade dos anos 90, um RPG chamado Unknown Armies, escrito por John Scott Tynes e Greg Stolze, disparou a imaginação dos jogadores com sua mistura de ocultismo pós-moderno e horror transcedental. Agora, Unknown Armies está de volta em uma sua terceira edição. Stolze formou desta vez uma equipe cheia de criadores talentosos – nomes como Cam Banks, Shoshana Kessock, Ryan Macklin, Chad Underkoffler, Monica Valentinelli e Filamena Young – que atualizaram e aperfeiçoaram as mecânicas baseadas em porcentagem do jogo, além de atualizarem a cosmologia dele para o século XXI.

Esta nova edição do jogo vem em três volumes – chamadas Jogue, Corra e Revele – contidas em uma caixa que quando desmontada se transforma no escudo do mestre. Um claro uso de magia (ou imãs, se você for dessas pessoas). Mas não confunda a magia do escudo do mestre com a “mágicka” do jogo – como o próprio jogo conceitua: “Mágicka-com-um-k é sua força de vontade vezes compreensão igual ao que deseja”. O livro é tomado por esse tipo de explicação espertinha. Outra ótima é: “Graus de falha não são completamente ruins. A única coisa que eles fazem é ajudar o seu personagem a ser ruim e morrer”.

Slipcase do Unknown Armies fechada

Mágicka, no jogo, é o conhecimento de que a realidade é completamente maleável e a força de vontade para usar esse conhecimento. Naturalmente, brincar com as leis do universo pode ser perigoso, tanto para seu físico quanto para a sua sanidade, e é aí que os Medidores de Choque entram. Há cinco medidores: Desespero, Isolação, Violência, Não-Natural e Si. Personagens expostos a traumas ganham “Graus de Dureza” que os ajudam a lidar com traumas posteriores às custas de um pouco de sua humanidade.

Esta troca de inocência por experiência, de conforto por poder, é o tema principal do Unknown Armies. Os jogadores interpretam indivíduos com a obsessão e a capacidade de mergulhar no Submundo Oculto e de alguma forma sair do outro lado ainda vivos, apesar de mudados para sempre. Personagens deste jogo possuem a capacidade de modificar a realidade como conhecemos e até mesmo ascender além da condição humana, mas só se eles estiverem dispostos a pagar o preço.

A cosmologia do mundo, com seus Arquétipos, Avatares, Deuses-Caminhantes, Sacerdócio Invisível, Capacitores e Contrapesos (NT: milhares de traduções que não farão muito sentido para quem não conhece o jogo, desculpem), é presente e reforçada ao longo de todo o texto. O Livro Três: Corra é principalmente uma lista alfabética de esquisitices (com entradas como “B é para Bobbit, John e Lorena” e “S é para Seder-Masochism”). Os livros Um e Dois apresentam as regras do jogo, com muitos truques interessantes (agir de acordo com sua Paixão ou Obsessão lhe permite inverter os valores dos dados de dezena e unidade numa rolagem de porcentagem, por exemplo) e um dos sistemas de combate mais brutais já criados.

Slipcase aberta, na forma de escudo do mestre, como que por um passe de mágicka

Unknown Armies faz jus ao seu lugar dentre os jogos de horror, mas é um tipo de jogo de horror bastante único e diferente do que temos disponíveis hoje em dia. Para fãs deste tipo particular de jogo, é um RPG que não pode faltar em sua estante.

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Nota do tradutor: A terceira edição do Unknown Armies fez recentemente uma campanha extremamente bem sucedida no Kickstarter (da qual eu participei), e seus brindes foram entregues há poucos meses. É possível encontrar cópias físicas e digitais dos livros na Warehouse 23, mas não encontrei eles disponíveis em nenhum outro lugar. Como esse título é bastante pequeno, é possível que ele não chegue aos canais mais populares de venda.

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Fonte: EN World | Unknown Armies Asks “What Price Will You Pay to Change the World?”

Sobre CF

Carlos Frederico “CF” é formado em Publicidade e atualmente estuda Direito sob a alegação de que cansou de ser advogado de regras e agora quer virar juiz. Ele já escreveu umas coisas por aí para revistas, livros e sites de RPG.