Retropunk adquire os direitos do Diaspora

De acordo com o blogue da VSCA:

A Retropunk Game Design do Brasil adquiriu os direitos para traduzir o Diaspora para o português e publicá-lo nos formatos .pdf e impresso. É ótimo negociar com os caras, e recentemente eles também adquiriram alguns títulos da Evil Hat, logo, estamos muito animados em relação a isso.

Para quem ainda não sabe, o Diaspora é um RPG voltado para a ficção científica hard que usa o sistema FATE sob a OGL. Por que isso é animador? Primeiro, faz muito tempo que um RPG de ficção científica não dá as caras aqui no Brasil. Ficção científica hard, então? Este assunto de classificação é controverso, mas este que vos escreve não consideraria Invasão, UFO Team ou Espada da Galáxia (já bem antiguinhos, aliás) como sendo hard.

O segundo motivo é que isto traz para o português uma versão realmente acessível do FATE. Já no dossiê eu afirmo que é preferível aprender o FATE através do Diaspora do que pelo Spirit of the Century. Ainda que o SotC seja ótimo, e o pai de todos os jogos FATE que temos atualmente, ele é um pouco enrolado na exposição das regras e realmente pesado em algumas partes — dezenas de páginas de stunts, estou olhando para vocês. O Diaspora, por outro lado, é bem ágil e enxuto nas descrições de regras e reduz as trocentas stunts a menos de meia dúzia — que são tão gerais e customizáveis que se pode até usá-las para emular psiônicos* sem a necessidade de todo um sub-sistema de “magia” à parte. Sem falar em algumas inovações, como os scopes de Aspectos e a criação de clusters.

*Que, por sua vez, também servem de sistema de magia, caso se use o sistema para algo que não seja ficção científica; a diferença entre magia e psiquismo é puro fluff.

O Brad da VSCA ainda cita uma tradução do Diaspora para o hebreu e outras oportunidades de negócios que surgiram com a premiação dos ENnies — em que o Diaspora levou o ouro em Melhor Conjunto de Regras –, mas sobre as quais ele ainda não pode fornecer detalhes.

Parabéns para a Retropunk por trazer jogos diferentes e inovadores para o idioma de Camões, e para a VSCA, por seu competente trabalho estar recebendo o devido reconhecimento.

Sobre Shido Vicious

É o equivalente masculino de "megera," se é que tal coisa existe. Gosta de sistemas indies e narrativos, cenários obcecados por verossimilhança, bandas de visual kei (kotekote, nada de oshare ou eroguro), fantasia new weird, ficção científica e ciências e artes em geral. É um fervoroso devoto da santíssima trindade: Estética, Rock'n'Roll e Bom Café.