Mice and Mystics: RPG para crianças

Ok ok. Mice and Mystics não é exatamente um RPG, mas é quase! E é excelente. Se você é um papai RPGista e está querendo apresentar o RPG aos seus […]

Ok ok. Mice and Mystics não é exatamente um RPG, mas é quase! E é excelente.

Se você é um papai RPGista e está querendo apresentar o RPG aos seus padawans, eu diria que esse jogo é uma forma ótima para começar.

Mice and Mystics é um jogo trazido ao Brasil pela Galápagos Jogos. Originalmente produzido pela Plaid Hat Games, o jogo recebeu um monte de prêmios e já conta com muitas expansões lá fora (aqui no Brasil, ele recebeu apenas a primeira, até agora).

Apesar de ser recomendado para crianças com idades 7+ anos, já experimentei o jogo várias vezes com crianças de 5 anos e foi um sucesso (mas, claro, a presença de um adulto é exigida nesse caso, pois o jogo é baseado em leitura).

Nossa sessão recorde de jogo durou, pasme, 4 horas (o jogo tem previsão para acontecer entre 60-90 minutos)!!! Pois é… quem tem crianças sabe que para colocar 4 kenders sentados durante todo esse tempo, é preciso de alguma coisa muuuuito interessante.

No final, queriam jogar mais!!!

O jogo é lindo. A produção gráfica impecável. Muito lúdico, conta com miniaturas, cartinhas, fichas, marcadores… um monte de coisas que deixam o jogo divertido até para adultos.

O jogo conta a história do Principe Collin e seus amigos que, transformados em camundongos, precisam salvar o reino de uma feiticeira maligna.

Cada sessão de jogo conta um pequeno capítulo do conto de fadas, e vai dando pistas sobre o que está acontecendo de verdade na história.

Não há interpretação de papéis no jogo, então não podemos classificá-lo como um RPG. No entanto, as crianças se envolvem tanto que é normal elas pararem para fingir que são os ratinhos falando uns com os outros, ou atacando seus inimigos, as baratas da feiticeira.

O mais legal desse jogo é que ele, como o RPG, é um jogo de cooperação. Todos trabalham juntos para vencerem, compartilhando recursos e lutando contra o jogo, que conta com uma Inteligência Artificial bem simples, mas eficaz. Você poderia jogar até sozinho, se quiser.

Ah, quando eu tiver coragem de pintar elas!

Um detalhe interessante é que os personagens não “morrem” no jogo. Caso sua energia acabe, eles são “capturados” pelos inimigos, e podem ser resgatados pelos demais personagens. Esse detalhe, muitas vezes, deixa o jogo mais motivador. A criança que “perdeu” o personagem fica, agora, torcendo para os colegas resgatarem o seu ratinho.

Outra coisa que as crianças adoraram foi o conceito de evolução de personagens, muito manjado para qualquer RPGista experiente. Os jogadores podem acumular pedacinhos de queijo ao longo da sessão de jogo. Esses pedaços são usados para alimentarem as habilidades dos personagens, mas também podem ser usados para comprarem novas, e mais poderosas, habilidades.

Quando um ratinho ganha um novo poder, os olhos das crianças brilham. E é muito divertido ver como pulam e comemoram a derrota de algum chefão inimigo (inimigos mais poderosos e, portanto, mais difíceis de serem derrotados).

Os dados são específicos para o jogo. Você pode comprar mais deles, se quiser, no site da Plaid Hat.

Outra coisa bacana é que existem formas de derrotar inimigos sem ter que, necessariamente, lutar. Sob certas condições, com itens e feitiços apropriados que podem ser achados pelo caminho (e aí precisa ter, claro, um pouco de sorte) é possível terminar um ou outro capítulo de forma mais veloz. Para um adulto, é muito bacana ver as crianças montando essas soluções sozinhas.

Se você tem crianças, recomendo bastante Mice and Mystics. Ele é um jogo para família toda. Sua mecânica é simples para adultos, mas sua história é muito rica e envolvente, a ponto de divertir a todos.

Para saber mais em vídeo:

Review: https://youtu.be/pnzk-0W9uKg
Regras: https://youtu.be/M4K3QNCISTc

About Alexandre

Estagiário do vice presidente júnior do RPGista, Alexandre começou a jogar RPG em 1991, só para poder usar miniaturas e jogar dados esquisitos. Ele é o jogador que faz os ninjas e rangers do grupo. Nunca magos (porque com eles não se brinca).