Catherine

De vez em quando, em meio ao marasmo de repetições que tem sido os últimos jogos eletrônicos, algum lançamento realmente original pode chamar a nossa atenção. Convenhamos: quantas variações de jogos de guerra em primeira pessoa, RPGs medievais em mundos abertos, massacres de zumbis e tiroteios futuristas você pode agüentar antes de, bem,enjoar? Cada vez mais me parece que a indústria tem desistido de inovar e valorizar de fato a criatividade dos designers e se prendido às fórmulas prontas de retorno garantido, com poucas e honrosas exceções.
E então temos Catherine, o jogo da vez que cumpre esses requisitos. A melhor forma de classificá-lo, acho, é como um quebra-cabeças romântico de terror. Nele conhecemos a história de Vincent Brooks, um analista de sistemas de 32 anos, os últimos cinco passados dentro do mesmo relacionamento com a sua antiga colega de escola, Katherine. As coisas começam a ficar complicadas, no entanto, quando ele, após uma noite bebendo e pensando nas indiretas dadas por ela a respeito de um possível casamento, acorda ao lado de uma moça dez anos mais jovem, a Catherine do título. Para piorar, há ainda uma estranha série de mortes durante o sono ocorrendo nos últimos meses, que atinge apenas homens jovens e solteiros, e pode ter alguma relação com os pesadelos que Vincent tem tido recentemente, em que ele precisa escalar uma grande torre de blocos antes que ela desmorone e ele caia para a morte certa.
Catherine é um jogo à moda antiga sob muitos aspectos. Pra começar, é um quebra-cabeças, gênero que não tem sido exatamente muito popular nos consoles acho que desde o saudoso Tetris – em geral eles parecem ser muito mais aceitos ultimamente enquanto joguinhos simples em flash, jogados on-line em portais de entretenimento ou baixados como aplicativos para tablets (pense em Angry Birds). Avançar as suas fases é muito mais um feito de habilidade, raciocínio e, algumas vezes, sorte, do que meramente paciência para atingir os níveis mais elevados, aprender as melhores habilidades e adquirir as melhores armas. Não é um jogo que você vai vencer pelo cansaço, enfim, mas que requer de fato que você desenvolva técnicas específicas e aprenda a pensar dentro das suas regras internas, o que gerou uma certa fama de dificuldade elevada na comunidade gamer.
Também é um jogo que busca o replay value não meramente pela quantidade de extras a desbloquear (o que não quer dizer que eles não existam, é claro, e alguns são realmente difíceis de liberar), mas apenas por ser simples, divertido e altamente desafiante. As fases possuem contagem de pontos, coisa que a derrocada dosarcades parecia ter deixado obsoleta, e há mesmo leaderboards on-line para quem quiser tentar a sorte contra japoneses viciados. E o modo Babel sozinho, com suas fases criadas aleatoriamente a cada jogo, já pode oferecer ocupação despretensiosa pra uma tarde chuvosa inteira, até por possuir um modo para dois jogadores. Faltou mesmo apenas uma opção para disputas on-line, acredito.
Isso posto, é claro que ele ainda é um jogo para a última geração de consoles. Toda a apresentação é impecável: os gráficos, as vozes, os sons, as músicas. As cenas de animação que contam a história entre as fases são todas de excelente qualidade, sem dever nada a qualquer anime contemporâneo. E se você acha que mover blocos e bater em ovelhas parece um desafio infantil e ingênuo, vai se surpreender com os cenário sinistros de cada pesadelo de Vincent – espere só até ver os chefes finais de cada noite…
Outro ponto interessante diz respeito ao roteiro e os personagens, que fogem do padrão salve o mundo da ameaça mística-sobrenatural-tecnológica-alienígena da vez e realmente tratam de temas adultos e contemporâneos, como relacionamentos, emprego, até mesmo sexo. Boa parte da história se desenvolve em um bar que Vincent e os seus amigos freqüentam todos os dias, onde você pode beber (com direito a trivias e fatos curiosos sobre a história das bebidas), receber e responder mensagens no celular, conversar com os clientes, e mesmo jogar em uma velha máquina de fliperama. Você também é constantemente julgado sobre seus valores éticos e morais, através de um questionário realizado ao fim de cada fase, em questões postas pelos personagens secundários, e na forma como você responde às mensagens eletrônicas recebidas, o que terá impacto decisivo nos desenvolvimentos finais da trama. Enfim, é interessante acompanhar uma história mais simples e mundana (até certo ponto), que não requer muita suspensão de descrença, e que não ofende tão grosseiramente a sua inteligência.
No fim, Catherine é um jogo realmente muito bacana, um grande sopro de originalidade e criatividade no marasmo repetitivo dos jogos da última geração. É o tipo de jogo que realmente pode agradar tanto os jogadores mais casuais, pela sua simplicidade e foco no raciocínio e habilidade, como também os mais hardcore, pelo desafio em liberar todos os extras e ganhar todos os troféus/achievements. Recomendo bastante, mesmo.

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9 Resultados

  1. Cara, detestei esse jogo. Se você for um otaku que gosta de Tetris, vai amar. Senão… O jogo em si é bem limitadinho, disfarçado pelo adventure anime que circunda o jogo. Minha opinião.

  2. Pedro disse:

    Parece legal. Só preciso agora do jogo e de um PS3

  3. Di Benedetto disse:

    A coisa mais próxima que eu tenho atualmente de um console de última geração é um… errr… Nintendo Wii.
    Mas parece interessante. ^^

  4. Kuro disse:

    Tinha que ser da mesma responsável pela Persona Series (ATLUS) :3

  5. Alex disse:

    Jogo de oTAKU, ruim demais

  6. hackbarth disse:

    Finalmente algum jogo levemente original.
    Me parece que faz mais de dez anos que só se lançam first person shooters no terreno de jogos eletrônicos. Pouquissímos jogos hoje em dia não são simplesmente um remake de uma idéia dos anos 90.
    Por isso que eu nem ligo meu Wii e passo jogando os jogos originais no Dosbox. Não aguento mais ver clones de Wolfstein 3d serem elogiados como sendo a coisa mais inovadora desde o pão com manteiga.

  7. Rafaelkain disse:

    Eu fui totalmente com a inteção de ver algo meio “caliente” no jogo, mas acabei vidrado numa hisória tão simples, mas ao mesmo tempo cativante.
    Vc acaba visiando nos puzzles e só consegue largar o controle quando termina um novo estágio.
    Curti bastante e o replay tbm é bem interessante!

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