Um acordo em Malpetrim

Cinco era o ideal. Dois guerreiros, um especialista, um mago e um clérigo. Essa era a formação mais eficiente para grupos de aventureiros. Justin sabia porque passara a maior parte das suas noites nos últimos anos em tavernas, pagando cervejas para líderes destes mesmos grupos e perguntando sobre suas vidas e opiniões. E ele havia decidido que o outro guerreiro do grupo de Michilla deveria ser Rich Sangrento.
Rich era uma figura conhecida na cidade, tanto como herói quanto vagabundo. Nos dias das Guerras Táuricas havia aterrorizado as legiões com suas armas de pólvora, mas depois acabou virando um vagabundo e vendeu suas pistolas para sobreviver. Gastou seus dias desde então em bordéis e brigas de taverna. Mas o dinheiro estava acabando e ele não tinha mais nada valioso para vender. A oportunidade perfeita para recrutá-lo.
Quando entrou naquele bordel decadente teve que segurar a tosse, provocada pela fumaça aromática que preenchia o lugar. Justin conseguiu identificar Rich numa mesa mal localizada e uma prostituta velha com a cabeça nas partes dele. Era um bom sinal, significava que o pistoleiro realmente estava com pouco dinheiro. Justin dispensou uma prostituta que veio lhe receber e foi até o balcão, onde pediu cerveja para si e para o alvo. Quando o pistoleiro recebeu a cerveja Justin ergueu seu copo em uma saudação que foi devolvida pelo outro, então fez sinal pedindo para conversar e de novo foi bem recebido.
? Boa noite, Rich. Meu nome é Justin McHearth – apresentou-se fazendo um sinal de cabeça característico que havia aprendido sobre Smokestone – Posso me sentar aqui e conversar com o senhor?
? Você é bem educado, guri, ganhou seus cinco minutos. Então, o que quer? – soltou tudo de uma vez com a voz rouca e poderosa, não era homem de meias-palavras.
? Estou organizando uma expedição a uma antiga mansão há alguns dias de viagem, quero que você venha.
? O que tem por lá?
? Armadilhas, monstros, dinheiro. O de sempre.
? Qual o trato?
? Sociedade. Eu lidero a expedição. O que encontrarmos dividimos entre o grupo, igualmente. A única exceção é um certo item que minha mulher está procurando. Se ele estiver lá, pagamos um extra para todos da nossa parte do espólio. Então, interessado?
? É um bom negócio – respondeu o pistoleiro cofiando a barba – mas não tenho mais minhas pistolas.
? E também não tem dinheiro para comprar outras. Por outro lado, você tem seu florete e sua adaga, e vi também uma besta do lado de fora, junto com seu casaco e chapéu. Se não arranjar dinheiro, vai acabar trabalhando no porto de dia e gastando o dinheiro aqui durante a noite, e nunca mais vai ver Smokestone.
? Smokestone, ah, cidade maravilhosa! Nunca pensei que ia sentir tanta falta do cheiro de bosta de cavalo com fumaça de pólvora…
? Temos um acordo, então? – pressionou Justin.
? Claro, guri, você sabe que ganhou no momento em que citou Smokestone. E quanto aos mugidores de merda do outro lado do portão? Como vamos passar por eles?
? Eu tenho um plano.
? Estou ouvindo.
? Não aqui, corre o boato que bovinos tem boa audição. Ainda tenho algumas pessoas a recrutar, poderia ir até este endereço amanhã? – disse, entregando um pequeno mapa rabiscado por Michilla com a localização da forjaria.
? Tsc, vocês levam esse pessoal de chifres muito a sério, são apenas bois, pelas botas de Hynnin.
? Bois não matam os homens e estupram as mulheres. Os chifrudos são uns filhos da puta, mas não são estúpidos.
? Esse mundão é muito doido, guri – lamentou o pistoleiro – que saudades da vida simples de Smokestone. Trabalho e orgulho, guri. Que saudades de Smokestone.
? Você não era assaltante? – quis saber Justin, estranhando a referência a trabalho.
? Sim, do nascer do sol até de madrugada, se precisasse. Nunca fugi de trabalho – respondeu Rich, com orgulho.
? Que bom, gosto de gente trabalhadora – respondeu cauteloso – Agora, com sua licença, gostaria de ir recrutar o resto da equipe.
? Não se incomode com isso, guri. Até amanhã. E obrigado – disse o pistoleiro.
? Pelo quê está agradecendo?
? Respeito. Outras pessoas já fizeram essas mesmas propostas e até melhores, mas ou me trataram como lixo ou me bajularam. Você foi o primeiro a fazer negócio como homem.
? Obrigado, Rich.
? Pelo quê?
? Respeito.
E saiu de lá.
A imagem do post? É a Colt .45 do John Wayne. Coisa linda de Deus.

Nume Finório

Você sabe quem eu sou.

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8 Resultados

  1. volz disse:

    To doido pelas proximas partes

  2. Di Benedetto disse:

    Outro bom conto Nume! Legal ver que você está continuando a "Saga de Malpetrim".
    Eu pessoalmete não levou muito jeito pra continuações, mas estou pensando em fazer um conto crossover dos personagens dos meus outros contos em Arton.
    Só ainda não veio uma ideia na cabeça de uma história pro conto em si. =/

  3. Guardião_Vader disse:

    Gostei. Estou ansioso pela continuação

  4. Saruman disse:

    Eu tbm gostei muito do conto, inclusive esses personagens são NPCs na minha crônica. Eu simplesmente adorei Michila.

  5. Ziderich disse:

    Xenial, guri.

  6. @OD_ disse:

    ficou muito bom. Parabens

  7. Willian Marinho disse:

    estes contos de malpetrim estão ficando cada vez melhores. parabéns ^^

  8. Cassio disse:

    qual a continuidade ela ja existe?

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