Ars magica: Compartilhando personagens e histórias.

Ars mágica é um jogo baseado na Europa não tão mítica (nada de ogros-magos soltando hadou-ken para lá e para cá…), é um cenário mais fosco, mas não por isso menos mágico. Magos existem, mas junto com seu dom de moldar a realidade, eles acabam ganhando uma aura sobrenatural que espanta aqueles que não possuem o dom. Por este motivo, os magos se retiram em castelos, mansões, ou mesmo florestas, com seus lacaios e companheiros, muitas vezes se juntando a outros magos.


Mas o cenário dramático e o sistema de formulação de magia (muito bons por sinal) não são o mais surpreendente.
A grande revolução de Ars magica, é o conceito de “troupe style roleplaying”, algo como “estilo de interpretação coletiva”. Afinal, magos gostam de passar boa parte de seu tempo em seus laboratórios, e dificilmente iriam sair para resolver algum problema. Mandariam seus companheiros e lacaios. 5 magos saindo para se aventurar então é quase inconcebível.
Desta forma, o livro trás vários tipos de estilos de jogo que resolveriam este problema, sem abalar o equilíbrio entre jogadores, afinal, um personagem mago é muito mais poderoso que os outros. Assim, foram desenvolvidos 5 “estilos de interpretação coletiva”, descritos em ordem, de forma que os primeiros são mais parecidos com o RPG convencional, e o último é altamente alternativo. Note que os estilos vão se complementando, e que a maioria das coisas que o anterior propõe estarão presentes em todos os seguintes.


1º Personagens alternativos:
Neste estilo de jogo, cada jogador possui 2 ( ou mais) personagens, dos quais no mínimo um mago e um aliado (que são os tipos de personagens mais fortes, respectivamente). Entretanto, cada jogador só joga com um personagem por vez. Claro que um jogador poderia querer ter 17 personagens, mas a questão é que, só porque você não está jogando com um personagem, não significa que ele não está fazendo nada! Seu personagem mago pode estar desenvolvendo experimentos em seu laboratório, enquanto seu fiel guarda-caça foi buscar tesouros, e desta forma, ganhando xp e evoluindo. Com 17 personagens você teria que tomar notas e cuidas da ficha de 17 personagens ao mesmo tempo!
2º Pilha de personagens:
Neste estilo, além de cada jogador possuir mais de um personagem individual, ainda haveria uma “pilha de personagens”, ou seja, personagens comunitários, que podem ser jogados por qualquer um. Estes personagens não seriam nem de longe tão poderosos quanto magos ou companheiros, seriam coisas tipo o soldado que cuida da entrada, o cocheiro e outros personagens não tão heróicos.
O interessante deste estilo é que faz aparecer personagens que normalmente não apareceriam, como os soldados e capangas, mas sem condenar um jogador a ficar com um personagem mais fraco para sempre. Mas qual a vantagem de jogar com um personagem mais fraco? Simples: como há muitos desses e eles não são muito importantes para ninguém, você pode jogar sem muito compromisso, ou sem medo de morrer. Você poderá fazer coisas que normalmente não faria com seu próprio personagem. Você pode até mesmo jogar mais de um desses personagens de uma vez só, já que alguns tendem a “desaparecer” em certas situações (uma cozinheira nunca iria se meter em um combate por exemplo).
Outra grande vantagem deste estilo é que facilita as coisas quando um personagem falta. Especialmente se ele avisar com antecedência. Um personagem poderia simplesmente ter ido para o laboratório, ou, se for um personagem da pilha, simplesmente pode ser controlado por outro jogador, ou ainda estaria seguindo o grupo sem maiores aparições. Até mesmo um jogador que tenha ido viajar por anos, seu personagem poderia ter se retirado ao seu castelo, e quando ele voltasse, poderia muito bem retornar à aventura sem maiores problemas.
3º Narração convidada:

Agora, além de compartilhar personagens, os jogadores poderão narrar de vez em quando. A grande vantagem é que o narrador pode ter um descanso, e jogar com algum personagem da pilha. Além disso, se o narrador principal faltar, desde que avisa o grupo com antecedência, ele pode ser substituído.Mas aqui é preciso tomar cuidado para que o “narrador convidado” não estrague a história que o grupo já estava trilhando. Mas, como um narrador não poderia ver toda a história do outro (senão perde a graça), sugere-se que se faça uma aventura isolada, como em um plano paralelo, um sonho, ou algum lugar REALMENTE isolado. Outra dica é os narradores chegarem a um acordo sobre o nível de recompensa.
4º Narrador alfa e beta:
Neste nível, a idéia é que haja mais de um narrador regular: um “narrador alfa”, que é responsável pela campanha como um todo, com poder de veto, e um ou mais “narradores betas”, responsáveis por alguns aspectos da história, como uma determinada floresta das fadas, uma cidade específica, ou mesmo o castelo. Enquanto os jogadores estiverem naquela região, o narrador beta tem carta branca para narrar.

uma grande vantagem deste estilo é que todos podem ter um mago e um companheiro, seja narrador ou jogador, de forma que um narrador joga com seu mago em uma parte da aventura que outro narrador estiver narrando. Além disso, caso um narrador falte, não há problema, afinal, há outros.
5º Estilo puramente coletivo:
O ápice do jogo coletivo é quando todos jogam e narram, mais ou menos na mesma proporção. Claro que isso exige bastante organização do grupo. Uma sugestão é que se tenha um “narrador de regras”, que tenha voto de minerva sobre a interpretação das regras. Claro que, além disso, é necessário que todos os jogadores conheçam bem as regras e que estejam acostumados a narrar.
Todas estas idéias podem, é claro, ser aplicadas a outros sistemas e outros jogos, o que faz de Ars magica quarta edição (gratuito) ou quinta edição, esta última ganhadora de três Ennies (melhores regras, melhor produto, melhor jogo) , escritas por Jonathan Tweet e Mark Rein Hagen, seja uma leitura muito interessante e um jogo inspirador.
Um abraço e bons dados!

PS: para que não me conhece, eu sou o JEY, do blog Regras obscuras, e agora faço parte da sua turma de Roleplayers favorita! Não deixem de comentar o que acharam, e de trazer sugestões de jogos interessantes para reviews (não é fácil achar material original)!

Você pode gostar...

3 Resultados

  1. Alexandre disse:

    Excelente post de estréia, Jey!

  2. Walter disse:

    Parabens brow, um tópico bacana, voce por acaso já jogou Ars Magica?
    só pra ter uma idéia, pra gente aqui parecem ser raras as pessoas que já jogaram, principalmente pela complexidade do jogo e a necessidade de se ter interpretadores qualificados.

  3. Olá!
    Caraca, não sabia que o Ars Magica era tudo isso de interessante.
    Procurando o sistema para conhecer mais.
    Até and Bye…

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: