E quando os jogadores se recusam a colaborar entre sí? – Parte 2

No artigo anterior falei sobre jogadores que se recusam a jogarem de forma cooperativa. Agora, vou dar opções para tentar contornar/resolver o problema.

Deixe que se matem

Se dois jogadores não gostam um do outro o suficiente para cooperarem, a opção mais fácil é deixar que seus personagens se destruam. Passar a ignorar o conflito é a forma mais fácil de contornar o problema no curto prazo.

A questão é que, no futuro, o mestre precisará ignorar os personagens para plots importantes (já que os personagens podem simplesmente se matar sem motivo).
Além disso, o grupo eventualmente será sempre mais fraco do que poderia, já que personagens novos precisarão ser feitos o tempo todo.

Conversem

Juntar o grupo para uma conversa é uma opção interessante.
Tentar entender a razão pela qual – e a forma como – todos querem jogar é importante para que a sessão de jogo possa caminhar de forma divertida.
Não adianta querer interpretar em um grupo que só quer saber de pancadaria, ou vice versa.
Da mesma forma, se 2 ou mais jogadores não conseguem conviver, é melhor que um deles saia do grupo.
Eu mesmo tive essa experiência altamente estressante. Os 2 jogadores não se suportavam, mas ao mesmo tempo queriam jogar com os demais.
Um sacaneava o outro, as pessoas começaram a tomar partidos e no final, por causa desses 2, o grupo rachou pela metade e um número – maior que o necessário – de amizades acabou.

Dê o que eles pedem

Às vezes um jogador não sacaneia outro, ele sacaneia o mestre.
Ele acha engraçado tomar atitudes absurdas, e continuamente desafia a lógica e racionalidade da aventura, só pra ver qual será a reação do mestre.
Desafiar NPCs poderosos, infringir a lei de forma aberta, atacar monstros poderosos, etc.
O melhor remédio para isso são as conseqüências.
Não tenha pena do jogador que faz gracinhas, mesmo que elas sejam engraçadas (muitas vezes são!).
Se ele quiser bater a carteira do chefe da guarda, deixe que tente! Mas também deixe que sofra as conseqüências.
Passei por isso recentemente.
Tinha pena dos iniciantes e protegia as piadinhas e coisas absurdas que os personagens deles faziam. A coisa só foi piorando, até que eu parei com isso.
Hoje meus jogadores andam na linha (errr…Ok, uns 80% na linha).

Ataque!

Isso dá muito certo.
Se os jogadores começarem a se enfrentar (não necessariamente em combate, mas podem dividir o grupo, ficar discutindo sem razão por horas, p.ex), invista com criaturas sobre eles quando estiverem fracos.
Isso os ensinará a levarem mais a sério os recursos dos quais dispõem (como HP, flechas ou magias, por exemplo).

Amarre os personagens

Uma opção para personagens que se recusam a cooperar com os demais é criar algum elemento no enredo que force essa atitude.
Você pode criar um chefe poderoso (que proíba/impeça/atrapalhe o conflito entre eles); pode amaldiçoar os personagens a trabalharem juntos (imagine se eles se apaixonarem!); pode tirar XPs do grupo para cada personagem que morra, etc.

Mude o estilo da campanha

Se o problema é que os jogadores gostam de competitividade, uma opção é escolher uma campanha que tenha esse estilo.

Jogos como o Street Fighter RPG podem ser usados basicamente como lutas entre personagens. Se você não quiser isso, a sugestão é que faça aventuras baseadas em torneios de arena, corridas contra o tempo, caça ao tesouro, etc.

Vá jogar outra coisa

Esqueça o RPG! Talvez seus amigos prefiram jogar coisas mais competitivas.
Existem excelentes jogos de tabuleiro por aí… experimente procurar por jogos importados (muito mais avançados que os nacionais) que são tão legais quanto os RPGs.
Muitos jogos são tão ou mais lúdicos que o RPG. Alguns apresentam tabuleiros variáveis, milhares de pecinhas diferentes, diferentes formas de chegar ao final do jogo, etc. Ou saque o controle do PS2 e vá a luta!

Digo isso porque ODEIO partidas ruins de RPG.
Já joguei tanto que não dá mais pra suportar um jogo ruim. Você fica exigente demais.
Essas dicas foram inspiradas originalmente desse post.

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2 Resultados

  1. salvaterra disse:

    eu tinha um jogador assim no meu primeiro grupo. ele odiava outro jogador, seu irmão mais velho. ele criava personagens aparentemente normais, mas ficava o tempo inteiro procurando motivos para se voltar contra o personagem do irmão e consequentemente contra o resto do grupo. o pior é que por mais cálculos que ele fazia com sua ficha, era incompetênte e sempre acabava morrendo.
    chegou num ponto em que seus personagens novos eram apenas nomes diferentes em cima das mesmas fichas, dos mesmos cálculos de combos mal sucedidos. então os “motivos” para se tornar antogonistas começaram a ficar cada vez mais ridículos. toda sessão ele perdia um personagem, rasgava sua ficha e saía da mesa chorando, dizendo que nunva mais jogaria conosco.
    confesso que houve imaturidade por parte do grupo também, que no final das contas dava risada das palhaçadas do jogador-encrenca e sempre o deixava voltar para o jogo. porém, embora soubéssemos que mais cedo ou mais tarde ele tentaria fazer aliança com o sabá, ou com os antogonistas do grupo, incluindo aquele ancião ventrue não-confiável que acabava o apunhalando pelas costas (daí ele dizia que era perseguição do narrador), ou simplesmente decidir que é um guerreiro mais “moralista” que o paladino e resolvesse assassinar o ladrão do grupo de aventureiros, nós nos mantínhamos neutros, sem provacações, só esperando as pérolas do jogador suicida.
    hoje ele diz que rpg é coisa de criança.

  2. Dan Ramos disse:

    Rapaz, acho que também porque hoje temos cada vez menos tempo pra jogar, a experiência tem que ser muito boa. Eu concordo 100% com você.
    Inclusive fiquei com medo do meu post ser igual ao seu, ainda bem que eu vi que não é hehe!
    último post de Dan Ramos:Aldora: Uma massa torpe e Inanimada

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