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Durante a última semana surgiu uma questão interessante na lista de discussão de blogs de RPG.
O que fazer com o personagem de um jogador ausente?
Uma das minhas técnicas prediletas envolve ignorar o personagem naquela sessão.
Na prática, ele acompanha os demais personagens, apenas não diz ou faz nada. Isso funciona bem quando o jogo não precisa de um personagem específico para que a estória continue. Costumo utilizar muito essa técnica frequentemente com os NPCs que acompanham os personagens.
Outra forma de contornar o problema é deixar o narrador (ou outro player) controlar o personagem do jogador. O ponto positivo disso é permitir que o personagem participe da ação e da estória de forma ativa. O ponto negativo é que – muitas vezes – o personagem pode sofrer conseqüências indesejáveis da sua participação ativa na aventura.
P.ex.: Durante um combate o personagem pode morrer, ser roubado, ter armas perdidas, etc.
Você também pode retirar o personagem da ação principal por meio de algum elemento da própria aventura. Muitas vezes, uma desculpa qualquer serve:

  • Ele ficou para trás se recuperando da última aventura;
  • Problemas na família;
  • Ele tem medo de barcos e optou pelo caminho por terra;
  • Ele foi na frente;
  • Etc.

Se usar essa técnica, tome cuidado na formulação dessas desculpas, pois elas podem alterar o rumo desejado da aventura:

“Fulano foi sequestrado? Como assim?! Vamos procurar os malditos culpados!”
“Mas vocês precisam salvar a princesa…”
“Dane-se a princesa! Meu PC tem Senso de Dever com os amigos!”

A melhor solução é quando o próprio jogador cria a desculpa para que seu PC não esteja presente na aventura.
Quando os PCs possuem uma “base de operações” ou vidas normais (digo, além das vidas de aventureiros) isso é mais fácil.
P.ex.: Se o PC é um ferreiro, ele pode ter viajado para comprar minério. Se for um soldado, pode estar em exercícios ou outra tarefa. Se for mago, pode estar na iminência de uma descoberta importante, etc.
É claro que isso não resolve o problema de um jogador que falta de forma constante às sessões de jogo.
Nesse caso, o problema é muito pior porque:

  • A estória fica muito mais difícil de ser narrada, já que você não pode contar com o personagem (e uma estória sem um personagem, não é nada);
  • O grupo de heróis fica menos coeso já que, na verdade, ninguém conhece realmente o personagem do jogador;
  • O grupo de JOGADORES começa a ficar menos coeso. Afinal, se um jogador pode faltar sempre, todos podem, e em um instante as faltas aleatórias começarão a se multiplicar;
  • Em última instância, as sucessivas faltas e adiamentos de jogos fazem com que o organizador das partidas (muitas vezes o próprio mestre) perca a motivação em organizá-las.

Nesse caso, medidas mais enérgicas são necessárias:
– Matar o personagem do jogador.
Acho essa opção muito ruim. Inclusive por significar a perda de um personagem que pode ser usado no futuro (e fazer com que novos personagens se encontrem sempre dá trabalho). Melhor é fazer o personagem “sumir” (p.ex. sair para comprar cigarros e nunca mais ser visto);
– Dar um NPC para o jogador usar, ao invés de um personagem.
Para mim isso também é ruim. O NPC é uma ferramenta do mestre, não um personagem. Se o mestre não o utiliza, então acho melhor retirá-lo da trama.
Inclusive porque o jogador pode fazer alguma besteira com o NPC e afetar o resto da estória;
– Conversar e tentar convencer o jogador a aparecer nos jogos:
Uma ação fantasiosa para tentar evitar conflitos. Se o jogo fosse importante para o jogador, ele apareceria sem você precisar convencê-lo a isso.
Talvez funcione, mas eu duvido muito;
– Expulsar o jogador do grupo:
De forma geral, sou contra expulsar um jogador do grupo, por mais faltoso que seja. Para mim, o melhor é descartar o personagem da estória principal mesmo. Assim, se os jogadores estiverem em uma masmorra e não houver jeito de encaixar o personagem do jogador faltoso, não encaixe.
Paciência.
– Deixar de chamar o jogador:
É quase uma expulsão, mas sem proibir o jogador de aparecer.
Você simplesmente passar a “esquecer” de chamar o jogador para as sessões.
Se ele reclamar, volte a convidar sem problemas. Se ele faltar, torne a “esquecer” novamente.
Acho que essa é a melhor solução. O cara tem uma desculpa boa para não ir à sessão (“ninguém me chamou”), e você tem uma desculpa para não chamá-lo (“como ele nunca vem, eu esqueci”).
Uma variante é, ao invés de “esquecer”, dizer que “achava que ele não gostava de jogar com o grupo”, quando confrontado pelo jogador.
A vantagem dessa variante é que você ainda se faz de vítima, enquanto violinos tocam ao fundo.

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4 Resultados

  1. Daniel R disse:

    Geralmente nas minhas mesas, quando o jogador falta, ele não tem direito de reclamar com o que aconteceu ao seu personagem – para o bem ou para o mal -, e geralmente eu interpreto ele e os outros players o utilizam em combate.
    Mas quando o jogador cai fora da campanha, é difícil decidir o que acontece com o personagem mesmo =P
    PS.: cadê a gente no seu blogroll? rs
    último post de Daniel R:Dragonslayer 24 (ui!): Capa e índice

  2. FenrirX disse:

    Sempre que alguem falta, eu interpreto ele de forma “como deveria ser”, agora ele não recebe nada que deveria receber (tesouros, xp, etc!), além de está no meio de todos os perigos.
    voltou a falta, o próximo desintegrar vai ser nele auahuah
    último post de FenrirX:Situações: Por que aquele carro está me seguindo?

  3. Daniel R disse:

    Ops, a anta aqui não viu! Hauhauh
    último post de Daniel R:Resenha: Dragonlance Fifth Age

  4. RicardONerd disse:

    Ah, a solução é automática jogar a ficha fora, quando o jogador falta é porque não vai voltar mais.

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