Ed Greenwood e os Novos Reinos

Para quem não sabe, o cenário de campanha Forgotten Realms deve apresentar severas mudanças para sua encarnação da 4ª Edição. As promessas são de avançar vários anos na cronologia do cenário e se livrar de diversos NPCs conhecidos. Alguns adoraram essas notícias, outros detestaram. Ed Greenwood, criador do cenário, também manifestou sua opinião a respeito no fórum do site Candlekeep.com.

Não, não foi idéia minha.
Entretanto, antes que cada escriba (nota do CF: como são chamados os usuários do fórum do site Candlekeep) ou fã dos Reinos pegue este comentário e comece a gritar “Viu! Eles estão arruinando com os Reinos e Ed Greenwood odeia o que estão fazendo!” eu peço a todos que lembrem-se que eu comecei a enveredar por este caminho em 1986, quando eu vendi os direitos dos Reinos para a TSR, cedendo controle artístico sobre o cenário.
Daquele dia em diante – exceto quando eu me antecipo e descrevo uma pessoa, lugar ou nação nos Reinos – eu tenho observado outras pessoas fazerem coisas que eu não pensei, ou concordei, em relação aos Reinos; e explorado suas conseqüências.
E é isso o que todos nós (“nós” sendo todo mundo que trabalha nos Reinos, de artistas que desenham as linhas para o interior dos produtos passando por Bob e Elaine, novelistas, a até Eric e George, como “mestres do conhecimento”) FAZEMOS: mexemos com os Reinos em vários aspectos e vemos o que acontece. É isso que faz parecer que o mundo está vivo, em constante mudança.
A maioria dos humanos odeia a maioria das mudanças. Todos nós podemos lembrar de coisas (a casa ou bairro onde crescemos, talvez) que mudaram tanto que “acabaram” para nós; as coisas mudaram muito do que lembrávamos para que aceitemos como o original. Isso pode, sim, ocorrer com os Reinos – assim como com qualquer outra coisa. Como eu disse antes, nós não podemos dizer ainda (sim, isso me inclui, porque eu ainda não ví o bastante do chamado “novos Reinos” ainda). Entretanto, cavalgar esse magnífico cavalo que galopa em diferentes e muitas vezes surpreendentes direções é o que eu faço, e tenho feito por quatro décadas – duas delas com publicações, com a TSR e agora com a Wizards.
Eu vou ficar no cavalo por enquanto, porque eu o conheço, amo e nós cavalgamos muito juntos. Pular agora, em pleno galope, seria doloroso e eu seria deixado para trás e jamais poderia ver que lugares legais ele alcançará.
Com isto dito, permitam-me dizer o quão movido estou pela raiva e decepção que muitos escribas mostraram aqui em seus posts. Vocês se importam tanto com os Reinos. Obrigado por isso. Eu compreendo a sua mágoa. Eu me senti assim também, várias vezes nos últimos vinte anos, e creiam-me: eu me sinto assim agora, quando personagens são descartados e eu enfrento a situação – que tenho evitado com poções de longevidade o tanto quanto pude – de alguns deles morrerem de velhice antes que eu tenha a oportunidade de realmente contar suas histórias.
Eu vejo o risco que a Wizards está assumindo, e espero que valha a pena. Independente do que aconteça, eu pretendo continuar compartilhando dos Reinos com jogadores e leitores enquanto eu durar. Estou trabalhando duro nas coisas legais dos Reinos do futuro agora, e estou plenamente ciente que os Reinos das Fronteiras e a não-publicada cidade de Teziir e outras coisas foram negligenciadas por muito tempo.
(…) Eu tenho conversado com muitos de vocês sobre o que fazer em suas campanhas, e gostaria de lembrá-los que jogar até o Ano da Chama Azul pode tomar-lhes dez anos na vida real (ou até mais); minha campanha nos Reinos é a prova disso. Então vocês podem ter o luxo de não mudar nada agora, e verem os Reinos da 4E se desenvolverem, antes de tomarem qualquer decisão. Respostas com informações aqui e em outros lugares ainda podem prover um direcionamento através dos “Anos Perdidos”.
Por favor, lembrem-se que apesar da Wizards of the Coast ser um negócio, é uma empresa constituída por JOGADORES. E autores de ficção. Eles importam-se bastante com o que publicam, e iriam trabalhar em outros lugares se não fosse o caso (porque há muitos, muitos, campos onde pessoas criativas podem receber pagamentos melhores do que na indústria dos jogos). Então, por favor, manerem na conversa de Império Maligno e esperem para verem primeiro o que eles farão. Eu ainda estarei aqui (espero; alguns editores prometeram me chacinar se eu perder alguns prazos :} ). Eu ainda me importo com os Reinos; não importa o que aconteça com eles, eu os trouxe para o mundo e quero estar lá para ver o que eles farão. Eu espero que todos vocês também estejam.
Para pegar emprestadas as palavras da The Hooded One (nota do CF: usuário do fórum):
Amor para todos,
Ed

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Ouvindo: Rolling Stones – Brown Eyed Girl
via FoxyTunes

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3 Resultados

  1. Daniel "Odrysius" disse:

    Palavras duras, contudo com razão. Esperemos então o FR 4th sair, pois outra alternativa não há.
    Kkkkk, mas quero ver Elmister morrer quero, kkkkk.

  2. Lithanm Siannodel disse:

    o grande problema sobre FR é que sempre foi um dos grandes senão o grande cenáriod e D&D e, por isso mesmo, vítima de toda a sorte de maluco metido a escritor querendo só bagunçar tudo e vender mais.
    Não gosto do que já foi feito e não gosto dessa bagunça nova que eles dizem que irá arrumar as coisas… enfim… vou voltar a jogar AD&D

  3. Jagunço disse:

    Deve ser realmente muito doloroso ver uma criação ser violentada, de qualquer forma. Mas acho q o Ed. tem levado muito bem. De todo modo, os Reinos não são os mesmos e nem precisam ser. Fico com os velhos contos dessa história toda (os dos tempos do bom Azoun IV). O que se segue ou são minhas histórias ou são sonhos estranhos dos outros. Muitos sofreriam menos, penso, se fosse possível esquecer o tom pretensiosamente “oficial” das editoras. 🙂

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