Por que usar o formato PDF?

A algumas semanas, ao acessar o Daily Illuminator, li um artigo muito interessante, escrito por Steven Marsh (editor da revista Pyramid e Gerente da e23), sobre os motivos da SJGames ter escolhido o formato pdf  para seus produtos.

Com a vinda da Secular Games para o mercado nacional e a intenção da Retropunk de publicar seus livros também no formato PDF, achei interessante traduzi-lo. Ele não nos conta como evitar a pirataria, mas toca em um ponto crucial: as vantagens do formato para a venda de livros.

Não sei qual será o futuro do mercado de livros eletrônicos, mas talvez algumas das coisas que o Sr. Marsh nos diz, possam servir de indicativo.

Segue a tradução na íntegra, do texto:

“Na seção da e23, do fórum da Steve Jackson Games, uma pergunta sempre aparece: “Por que vendemos nossos produtos somente no formato PDF, quando existem tantas outras opções por aí?

Em primeiro lugar, nenhum dos motivos é canônico; eles não representam o fechamento para todas as outras possibilidades até o fim dos tempos. A tecnologia evolui constantemente, e formatos de dados e técnicas de comunicação estão sempre mudando. (Eu fico chocado quando leio os antigos livros de GURPS, que proclamavam orgulhosamente como você podia contatar nosso serviço de notícias com um modem de 300 bauds (1) ). Ainda assim, eles são nossas melhores indicações de como as coisas são, e esperamos que ainda sejam, por algum tempo.

Então por que nós usamos o PDF? Porque simplesmente, ele funciona. Não é o formato ideal para todos os casos, mas atinge uma audiência grande o bastante e não tem outros concorrentes muito sérios. Primeiro, é um formato excelente para impressão – que é o objetivo de muitos dos nossos consumidores. Ele também é bastante legível em telas de computadores, especialmente nas grandes. Para os leitores de e-book que suportam o formato PDF, nossos documentos funcionam bem. (Isto pode parecer óbvio, mas é bom para enfatizar: como nossos PDFs não são complexos ou com um fundo odiosamente elaborado, os processadores dos leitores de e-book mais lentos, podem trabalhar com a maioria de nossos produtos muito bem).

“Mas por que”, você ainda pode perguntar, “não fazem seus produtos em PDF e uma versão dos livros formatada de outra maneira (um PDF para telas horizontais, um formato eletrônico de e-book, ou algo assim)?” Simplesmente, por causa do custo. Por motivos óbvios, a necessidade de lançar um livro duas vezes, resulta em duas vezes mais trabalho no layout – o que, por sua vez, obrigatoriamente aumenta o custo final do PDF. Nós colocamos muito cuidado no layout de nossos produtos, e não nos contentaríamos em fazer uma conversão descuidada para um formato alternativo.

Além disso, quase todos os nossos livros perdem funcionalidades se forem convertidos em outro formato; a maior parte dos formatos de e-book depende da capacidade de refluxo dinâmico (2), o que pode quebrar referências de páginas e índices. (Isto não representa um obstáculo para um e-book, mas como você controla as referências de um livro, como por exemplo, “Veja Ácido na p. 428 do Manual Básico de GURPS”? – não é um problema intransponível, mas é bem irritante). Refluxo dinâmico também raramente funciona bem com tabelas, barras laterais e as imagens dos livros.

Além disso, há outra razão. A capacidade para ler e consumir o PDF só tende a melhorar. Eu adquiri um monitor há alguns anos atrás, que podia ser girado em 90 graus, para se ler a página toda no formato retrato. Hoje em dia, o mesmo monitor, pode custar um terço do que paguei – embora isto seja discutível, porque a resolução dos computadores e o tamanho das telas melhoraram drasticamente. Hoje, é fácil e barato comprar um monitor widescreen e ler duas páginas lado-a-lado.

De muitas formas, eu prevejo que com o arquivo PDF – ao menos para jogos de RPG e outros formatos altamente dependentes de tabelas – acontecerá o mesmo que o MP3. Há 10 anos, o MP3 era exclusivo de grandes e barulhentos computadores. Alguns anos mais tarde, era o formato para caras unidades dedicadas. Hoje, aparelhos que o suportam estão por toda a parte; eu ganhei um, literalmente de graça, há alguns anos (ele veio junto com um cartão de presente, sem custo adicional). Um arquivo MP3 com alta qualidade de 1996, ainda funciona bem hoje, e vai continuar tocando bem por décadas, em milhares de dispositivos; o mesmo não pode ser dito dos formatos de áudio proprietários ou pouco usuais, que vêm e vão a intervalos de anos. Similarmente, o PDF provou ser um formato resiliente (3), que permite o uso de diversos programas para leitura, desde uma década atrás; eu suspeito que serei capaz de projetá-los diretamente em meus olhos, com a tecnologia high-tech de sistemas Etch (4) de displays de retina, do iPad de sexta geração.

Ou, se eu quiser, ainda serei capaz de imprimi-los também… e eles ainda continuarão bons.”

Originalmente publicado no Daily Illuminator, por Steven Marsh. [Texto original aqui]

(1)    No original: 300-baud modem. O termo baud rate é utilizado como medida de velocidade de transmissão de informação entre computadores, através de linhas telefônicas. Baud rate é freqüentemente utilizado como sinônimo de bits por segundo (bps), apesar de não ser tecnicamente verdadeiro. O nome vem de J. M. Baudot, inventor do código telegráfico Baudot.

(fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/sos_dic_abcd.shtml)

(2)    O refluxo dinâmico serve para apresentar o texto temporariamente como uma única coluna, que tem a largura do painel do documento. Essa exibição de refluxo torna o documento mais fácil de ler em um dispositivo móvel ou ampliado em um monitor padrão, sem rolagem horizontal para a leitura do texto. Ele é muito usado em diversos formatos de e-book, nos quais você amplia o tamanho da fonte, e o dispositivo rearranja o texto para que continuem cabendo na tela. Com isto, o número de páginas aumenta e fica difícil controlar referências, como números de páginas, pois elas estão mudando sempre.

(3)    Representa a capacidade do formato PDF em lidar com rápidas mudanças de plataformas e tecnologias.

(4)    No original: high-tech Retina-Etch Display System. Etch é um novo framework multi-plataforma de código aberto para se construir sistemas de rede, primeiramente anunciado em maior de 2008, pela Cisco Systems.

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