Resenha: Sobrevivência dos Mortos

Cartaz de Sobrevivência dos Mortos

Novo trabalho do lendário George Romero, simplesmente o criador da mitologia moderna sobre os zumbis, é uma continuação indireta de Diário dos Mortos, de 2007. Sobrevivência dos Mortos abandona a câmera tremida e o despreparo dos sobreviventes do filme anterior. Os personagens agora são soldados armados com metralhadoras e granadas e perfeitamente capazes de se defenderem contra ameaças.

A trama é uma releitura da tradicional rixa de famílias dos filmes de velho oeste americano para a realidade de um apocalipse zumbi. Em uma ilha isolada na costa leste estadunidense duas tradicionais famílias e seus seguidores entram em conflito quando suas opiniões divergem sobre o que fazer com os infectados. Uma delas acredita que os zumbis devem ser destruídos, enquanto outra prefere mantê-los vivos, acreditando em uma forma de fazê-los se alimentar de animais em vez de humanos.

Os protagonistas são sugados para dento dessa disputa e lutam para sobreviver enquanto as duas famílias tentam provar seu ponto de vista. Como é de praxe nos filmes de Romero há um pesado questionamento sobre a condição humana: o que é importante para nós? O mundo em que vivemos tem algum sentido? O que falta para unir é uma crise mundial ou isto apenas iria nos tornar ainda piores? Romero prefere deixar tais questionamentos implícitos e responde a eles através do desfecho de suas tramas.

Mas honestamente? Não importa muito. Neste filme George Romero não consegue assustar ninguém. Talvez por se focar demais nos aspectos de analise social o diretor estadunidense esqueceu que a principal função de um filme de terror é aterrorizar (e assim divertir) sua platéia. A trama se concentra demais no conflito entre as famílias e os soldados e torna os zumbis apenas personagens secundários praticamente sem grande participação no filme. Como aqui todo mundo ou é um soldado ou um caipira armado até os dentes, sempre que um zumbi aparece a reação imediata é de incomodação, não de medo.

Outro problema são os personagens. Na maior parte sem carisma e importância, mesmo os mais bacanas e com mais potencial fazem pouco mais que soltarem algumas frases e morrerem de uma forma estúpida, enquanto outros são simplesmente ridículos em sua teimosia e inocência. Os patriarcas das famílias são apenas dois velhos teimosos e idiotas que não conseguem ter um pingo de pensamento racional enquanto a filha ingênua de um deles é mais que ingênua, é estúpida e retardada a ponto de acreditar que sua irmã zumbificada realmente a reconheceria.

Como a maioria dos filmes de Romero este aqui foi filmado com um orçamento bem modesto para os padrões de Hollywood mas, ao contrário de outros filmes do diretor, desta vez o que geralmente significava efeitos especiais baseados em criatividade em vez de dinheiro bruto foi destruído pelo avanço da tecnologia que tornou efeitos digitais mais baratos e acessíveis aos filmes de baixo orçamento. Assim temos efeitos digitais de segunda categoria em vez dos bons efeitos improvisados dos filmes antigos de Romero.

Sobrevivência dos Mortos é o pior dos filmes de Romero até hoje apesar de merecer uma olhada por qualquer um interessado em filmes de zumbis. No geral, tem algumas idéias legais e que a muito os fãs gostariam de ver, mas deixa aquela impressão cada vez maior de que apesar de Romero ser o criador do gênero ele vem perdendo cada vez mais a mão para fazer filmes de zumbi.

About Nume Finório

João Paulo Francisconi, entre outras enormes perdas de tempo, é blogueiro há dez anos, escreveu para a finada Dragon Slayer, publicou alguns livros de RPG e assistiu quatro episódios de Punho de Ferro.