A Flecha de fogo mudou totalmente minha visão sobre os goblinóides

Eu sei que o livro é de 2018, mas eu só fui ter a oportunidade de lê-lo mês passado, então essa resenha pode ser considerada bastante atrasada. De qualquer forma, espero que esse texto tenha algo novo para acrescentar.

Acho que todo consumidor de rpg está acostumado com a imagem dos goblinóides como vilões clássicos, desde o Senhor dos Anéis até cenários mais recentes, os goblins, orcs etc povoam mundos e aventuras como criaturas que devem ser combatidas. São considerados, burros, selvagens, grotescos e algo menor que um rato.

Até alguns anos atrás jogar com um goblinóide era algo diferente, era sair da caixinha. Um paladino goblinóide? Acho que dá para contar nos dedos da mão quantos você já viu. Divindades goblinóides benignas ou neutras? Difícil também. E tudo isso porque caiu no senso comum que eles são malignos e que, via de regra, nascer goblinóide é estar condenado a ser do mal.

O Flecha de Fogo consegue, de uma maneira brilhante, mostrar que os goblinóides, pelo menos os de Tormenta 20, são tão dignos quanto qualquer outra criatura clássica de cenários de fantasia. Leonel Caldela coloca os goblinóides como sobreviventes. Eles não são do mal, são criaturas marginalizadas que foram obrigadas a se virar como puderam depois que os elfos chegaram ao continente.

O livro explora a sociedade goblinóide como eu nunca vi antes, define os goblins como tão inventivos quanto gnomos, os hobgoblins tão exímios caçadores quanto elfos, os bugbears são tão fortes e espertos quanto anões ou minotauros. O único lugar em que foi permitido à estas espécies desenvolver suas habilidades, foi dentro da Aliança Negra. Thwor Ironfist foi o único a reconhecer o valor destas criaturas.

Capa do livro a flecha de fogo. Em que as imagens de diversos personagens do livro forma a silhueta de Thwor Ironfist com seu machado de guerra.

Capa do livro A Flecha de Fogo.

Logo na primeira metade do livro o leitor é apresentado a sociedade goblinóide além da Aliança Negra, e essa é apresentada como única alternativa para que possam sobreviver. Apesar do continente sul, Lamnor, ser completamente dominado pela Aliança, aventureiros do norte constantemente vão para lá com o objetivo de destruir os goblinóides. E, geralmente, quem é pego sozinho é eliminado. Então, estar na Aliança Negra é sobreviver.

A Aliança Negra devastou reinos inteiros, sacrificam humanos, elfos, anões etc, mas estar com eles permite aos goblinóides uma chance de sobreviver aos assassinos do norte. Da mesma forma que Thwor devasta ocupações humanas, aventureiros do norte acabam com tribos inteiras de goblinóides.

O modo de vida da Aliança Negra não é o melhor, mas é o que tem permitido a civilização goblinóide florescer. De modo que é mostrado no livro os diversos modos de vida dos goblinóides que são diferentes dos da Aliança. E quais são as perspectivas futuro das diferentes espécies e facções dentro da Aliança Negra.

Além disso o livro traz discussões atuais sobre como a forma de que os goblinóides são tratados no continente norte e sul refletem diretamente no sucesso ou fracasso de suas realizações. Arquimagos, inventores, grandes heróis, seres honrados, espiritualizados, etc, é possível encontrar entre goblins, hobgoblins e bugbears. E a obra crava como toda essa civilização será tratada no cenário a partir de agora, inclusive cravando no cenário uma nova divindade que reflete o novo momento.

Então, sem dar muitos spoilers, o livro é importante pra caramba. Não só como uma obra de fantasia mas porque nos faz relacionar e questionar muitas coisas da nossa sociedade. Se há 10 anos a gente via Lamnor como Mordor, agora é possível visualizar como um continente mais diverso, cheio de via, com culturas incríveis e que com possibilidades inúmeras de diferentes tipos de aventuras.

 

P.S.: o único ponto negativo do livro pra mim foi que o final é muito corrido. Tirando isso tive muito dó do destino de Laessalya, a bichinha não merecia.

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