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Dia Z – O Dia dos Mortos

Achei você…

O tempo passa rápido, e eu estou tonto por causa da fome. Ouvi um barulho, mas é difícil pensar. Parecia um tiro, mas podia ser qualquer outra coisa. Algúem caindo de um prédio, pernas batendo, o corpo erguido pelo pescoço. Um tiro. O estampido de um tiro não deveria ser mais alto? Sigo tateando no escuro. As mãos não doem mais, não sentem mais. Apenas o cheiro, tão forte que não consigo evitar seguir. E o barulho. Sim, são tiros. Outro. Outro.


Encontrei um corpo. Não tem cheiro de vida. Descarto e sigo tateando. Eu precisava dos meus olhos, apesar de que a cada dia ficar mais difícil ver com eles, opacos, cinzas. Quando foi que perdi meus olhos? Estava tão cansado, ou pelo menos achei que estava. Vultos. Foram as aves. Devem ter sido corvos. Ou abutres. Não lembro de ter sido atacado por corvos alguma vez. Estou com fome. Outro corpo, este cheira bem. Está parado, suando. Sigo tateando até agarrar. Ao morder, acho que perdi um dente. Acontece.
Pelos gritos é uma menina, tateio seu corpo, não encontro seios. Deve ser uma criança. Desculpe, estou com fome e é dificil achar vocês. Correm demais, choram demais; e se escondem. Mas vocês tem cheiro de vida, muito mais do que qualquer outra coisa. Não adianta debater-se. Chorar também é inutil. Eu estou com fome. Outra mordida, agora mais dócil. Afago seus cabelos. Boa menina. Só mais um pedaço e vou embora.
Tiros. Acho que já ouvi tiros hoje, mas não tenho certeza. Tateando, sigo em frente. Agora ouço vozes. Estão falando de mortos que caminham. Zumbis? Mortos-vivos não existem. Que bobagem. Avanço. Algo me bate e eu caio. Levanto-me, novamente me atingem. O que estão jogando em mim? Pedras? Barulho de tiros. Atiraram em mim? Impossível. Mais um passo. O cheiro aumenta. Um grito.
Levanto os braços. Ou tento, eles estão cada dia mais pesados. Tento falar. Digo, peço o mais alto que consigo que não atirem, que não vou lhes fazer mal, mas minha voz não sai. Só preciso de um pedaço, só uma mordida. Tenho fome, e vocês cheiram tão bem. Os tiros pararam. Alguém tentou correr, mas peguei o outro. Acho que é homem, a carne é mais resistente. Os braços são mais fortes. Se livra de mim antes que eu me alimente. Mas está ferido. Não fuja, eu não vou lhe fazer mal.
Tateando no escuro, eu sigo. O cheiro aumenta, torna-se adocicado. Odor de sangue. Está ferido? Está assustado? Mais um tiro. O último. Daqui a pouco não vai mais precisar fugir. Por instinto, ataco a garganta. O sangue verte farto, escorre pela boca, empapa o que restou das roupas. Não precisava ter corrido. Não adiantou se esconder. Porque eu sempre vou procurar.
E um dia eu encontro você.
***
Se você está lendo estas palavras, é porque eu não consegui sobreviver à Infestação Zumbi. O Virus Z começou no Pop Dice e se alastrou pela blogosfera, atingindo a todos. Eu fui infectado pela Elisa do Pensotopia, e a culpo por tudo o que me aconteceu desde então. Peço desculpas a todos, a minha familia, aos amigos que há tempos não via. Me perdoem por tudo. Me perdoem por nada. Mas eu estou com fome.
E estou procurando.
D3System, Ooze e o Área Cinza… como vocês sobreviveram (ou não) ao Dia Z?
Eu ainda acho vocês.
Blaaarhg… Gaaack…

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