Demônios e Diabos Alienígenas

Novas Descrições de Coisas Velhas A ideia de dobrar a fantasia como gênero e mover histórias no limiar do pensamento da ficção científica bem permissiva – aquela dos anos 1930 […]

Novas Descrições de Coisas Velhas

A ideia de dobrar a fantasia como gênero e mover histórias no limiar do pensamento da ficção científica bem permissiva – aquela dos anos 1930 – tem me feito pensar contextos diferentes para algumas das minhas campanhas nesses bons anos. Assim, jogando aqui e ali com a ambiguidade, sempre recuso a ideia de “magia” como ponto final explicativo de cenários épicos. É uma fratura imaginativa, mas também abre alguns horizontes clássicos, assim como novos.

D&D, por exemplo, apesar de experimentações como Planescape, Spelljammer e Dark Sun repercute modelos narrativos muito, muito sólidos na metafísica da magia tradicional – o que aumenta a vontade de burlá-los. Sigo então essa pequena teimosia em virar o ciclo imaginário de volta à coisas como Princesa de Marte ou Lovecraft, mas também a leituras quase sci fi de elementos fincados das descrições do RPG costumeiro.

Assim, venho propor uma pequena série de posts com descrições variantes para D&D e jogos semelhantes. A seguir, um exemplo sutil da brincadeira. Que tal mudar a forma de certos monstros e lugares, aparecem? Como seriam os seres demoníacos ou diabólicos em civilizações siderais?

Infernos e Abismos

Um par de forças colossais define a ideia de “demônios” e “diabos” que assombram os homens. Elas se encontrarão em breve e redefinirão os contornos do universo conhecido. Seus elementos já lutam pela sobrevivência em disputas territoriais nos frágeis mundos de raças menores. Eles manipulam povos para fins diversos, abrindo pontes para sua chegada. Apenas grandes estudiosos sabem dessas duras verdades e lutam contra a loucura de um destino inevitável.

ASMODEUS

Asmodeus é um sistema de mundos que incorpora planetas por onde vaga.

Ele arde como milhares de sóis e extende-se em fogo, metal e escuridão, sem uma forma mais fixa do que uma nuvem de pedaços incadescentes. Sua consciência é vaga e variável, mas ainda assim a fome de crescer o leva a trespassar dimensões e criar conflitos que permitam que ele seja evocado em mundos de seres conscientes.

Uma dúzia de raças hibridas habitam suas camadas, tramando e lutando pela supremacia. A mais relevante delas surgiu a partir de sauróides alados que sobreviveram a uma praga ignea há milhares de éons. Tomados por dameons, estes seres infernais ergueram uma civilização brutal dentro dos corpos celestes que ardem no sistema. Sua arte sobre os elementos os tornou colonizadores, motivados pela expansão e pelo domínio.

Descreva um daemon de Asmodeus como uma criatura alta e escarlate, cujos chifres de metal erguem-se às estrelas. Se corpo escamoso tremula de calor e o fogo borbulha à volta. A entidade atrai o magma, rachando a terra ou talvez rompendo o espaço entre este mundo e o seu. Tem um idioma áspero, como um eco grave sem fim. 

AIACOS

Na curva do tempo há uma rachadura próxima ao Momento Zero. Ela cresceu por milhões de anos, devorando as possibilidades não realizadas deste universo até que cristalizou-se como uma anti-estrela, uma singularidade quebrada, um Abismo. Massivo e silencioso, ela pulsa na matéria escura e ganha vida.

Aiacos é uma entidade que já possuiu raças inteiras, emergindo deste lugar profundo. Ele projeta mundos dentro de mentes vivas e extraí o medo para ganhar movimento e cruzar as eras. Recentemente ele sonda mundos primitivos e começa a respirar seus medos, acreditando que pode recriar a Fissura Abissal – talvez buscando uma mente igual a sua – conjurando o caos e a impossbilidade para o cosmos.

A mente de Aiacos está presente em milhões de medos vivos, simbiontes agregados em raças inteligentes, agindo como sondas e preparando caminhos para a chegada de seu Centro Nervoso.

Descreva um simbionte de Aiacos como uma sombra branca, pálida, no meio da noite. Ela oscila e caminha. Há sussurros à volta e o ar estala com medo de si mesmo. Em algum lugar o vento dialoga com o vácuo, pois algo se materializa onde não deveria. Milênios de impossibilidade parecem ganhar fome nele e em seu súbito grito.

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Até um próximo ensaio.

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A imagem deste post é, obviamente, propriedade de Mike Mignola, com todos os direitos reservados ao autor. Aliás, abençoado seja ele…

Sobre Mário Castro

Mário Castro é professor e pesquisador, apaixonado por narrativas de todos os tipos. Joga, narra e lê RPGs desde os anos 1990. Tem CA 38, 422 PVs e faz cinco ataques por rodada.