Brigada Ligeira Estelar: O Grande Vazio e ascensão da monarquia

Continuando nossa série de artigos sobre Brigada Ligeira Estelar. Tentamos desvendar como a nobreza e a monarquia ascenderam na Constelação de Sabre, durante o período mais obscuro de sua história: […]

Continuando nossa série de artigos sobre Brigada Ligeira Estelar. Tentamos desvendar como a nobreza e a monarquia ascenderam na Constelação de Sabre, durante o período mais obscuro de sua história: O Grande Vazio.


No artigo anterior (BLE: Aliança Imperial e o retorno da monarquia) discutimos que o estabelecimento da monarquia na Constelação de Sabre deve ser anterior ao Império, e que tais monarquias teriam se estabelecido durante o Grande Vazio. Neste artigo iremos nos aprofundar na questão, buscando entender quais fatores teriam levado ao surgimento da nobreza quase 2.000 anos após a derrocada das monarquias na Terra.

Como havia mencionado, regimes políticos são produto das relações socioeconômicas. Simplificando (demais):  o surgimento da nobreza está ligado a necessidade de proteção de feudos ou similares, que são domínios fragmentados, isolados e autossuficientes. Uma posterior expansão das trocas comerciais leva ao surgimento de estados centralizados na figura de um monarca. Eventualmente, com a industrialização e surgimento do capital financeiro, as classes ascendentes tendem a tomar o poder da nobreza, que quando não é abolida, passa a ter apenas poder simbólico. Exceções a regra normalmente terminaram muito mal (e.g. industrialização da Rússia czarista no começo do séc. XX).

Faz pouco sentido existir nobreza governante num futuro distante ultra-industrializado. No caso de Brigada Ligeira Estelar, sequer existem religiões para apoiar o direito divino dos nobres. Repúblicas e governos representativos se mostraram mais eficientes em administrar os interesses de oligarquias (novas e antigas) e classes trabalhadoras.

A menos que processos históricos ocorridos no Grande Vazio levassem a este retorno, mas que processos poderiam ser esses?

O Grande Vazio

Também conhecido como “O Apagar das Luzes”, este foi um período na Constelação de Sabre que abrange os séculos IX e XVIII do Calendário Estelar (C.E.), e cujos registros são bastantes escassos e confusos. Sabemos que foi um período de fragmentação, guerras constantes e isolacionismo, e este é um ambiente propício para o surgimento de da nobreza – uma classe dedicada a defesa e governo das terras.

Essa explicação sozinha não basta, pois com a industrialização é perfeitamente plausível que corporações assumam o controle e defesa de territórios num período de fragmentação (como num cenário cyberpunk). Portanto, precisa-se também do aparecimento de um elemento cultural, que no caso seria o retorno dos valores e estética romântica do século XIX que observamos na Constelação de Sabre atual.

Movimento romantico no Grande Vazio

Paixão, romantismo, nobreza e ideais em meio uma era de máquinas sem coração. O Ruritanismo teria sido um movimento nostálgico de re-encontro com velhas raízes e modelos políticos.

O Ruritanismo

Pensem bem: imaginem que vida de merda deve ser viver num futuro distante, em domínios isolados controlados por uma elite executiva abusiva, onde a vida de um operário ou camponês vale pouco, muito pouco, pois máquinas e robôs fazem boa parte do trabalho braçal. Some ao fato que as religiões foram praticamente extintas, mas as pessoas estão carentes de espiritualidade e valores. Esse é o tipo de cenário perfeito para toda sorte de distúrbio social, e também para o aparecimento de movimentos pró-nostalgia, romantizando os “velhos tempos na Terra”. Vamos chamar esse movimento de “Ruritanismo”, em homenagem aos ditos romances ruritânios do séc. XIX que inspiraram os animes de robôs gigantes.

Temos então um movimento que exalta a nobreza, levando a ascensão ou surgimento de casas nobres em meio ao caos social que se instaurou. Novas casas nobres surgiam em meio a revoluções, enquanto outros grupos reivindicavam pertencer a linhagens nobres da Terra (reivindicações muitas vezes falsas). Pronto, temos um cenário plausível para o retorno da cultura monárquica.

Esta teoria coincide com dois eventos conhecidos do Grande Vazio. A Praga Ginóide é um claro sintoma de distúrbio social (apocalipse otaku onde a taxa de natalidade cai porque as pessoas preferem se relacionarem com andro-ginoides), enquanto as Guerras Drones foram o conflito que levaram a proibição do uso de drones em guerras, com a vitória da facção que se apoiava nos códigos de combate vistos atualmente no cenário.

Estabilização dos governos monárquicos e surgimento de repúblicas

Sobre o Grande Vazio é também descrito que após um “Grande Expurgo” ocorrido entre os anos de 1403 e 1467 C.E., tivemos finalmente a estabilização de estados planetários e a retomada das relações comerciais ao longo dos séculos XVI e XVIII que levariam ao começo do período histórico atual do cenário.

Meu palpite é que o “Grande Expurgo” foi consequência direta das Guerras Drones e da ascensão da nobreza e do ruritanismo. Os vencedores então isolaram a constelação de influências externas que apoiavam o uso de drones e outras tecnologias. Com o tempo temos a unificação dos feudos em estados nacionais monárquicos, que é um processo histórico natural. Após a estabilização, é possível que em alguns mundos tenham tido levantes de oligarquias em ascensão contra a nobreza, levando a instauração das repúblicas que seriam derrubadas por Silas Falconeri.

Pensando um pouco mais longe, é natural que alguns dos mundos menos industrializados e atrasados tenham se tornado repúblicas oligárquicas. Na Terra, muitos países industrializados optaram pela manutenção de um monarca como símbolo de unidade nacional (e imperialista), mas não há necessidade disso em países agrários subordinados a outras nações. Nestes casos, poderia ser interessante para as oligarquias derrubarem intermediários e governarem em prol de seus interesses diretamente (foi isso que ocorreu no Brasil, por exemplo).

brasões da monarquia Imperial, annelise e montalban

Concluindo

Até para que coubesse num único artigo, sei que muito do que foi escrito é por demais simplificado e pode ser considerado reducionista.  Por mais que goste da disciplina, eu não sou historiador, e o artigo está aberto a discussões e correções.

A presença de nobres é um aspecto central do cenário, e compreender suas origens pode ser relevante para entendermos o papel atual e futuro desta classe. Além disso, o Grande Vazio permanece um mistério, e acredito que muitos segredos desse período serão revelados no futuro.


Fontes sobre o Grande Vazio

Tudo sobre esse período do cenário ainda é muito vago e impreciso, mas podemos encontrar informações nas seguintes referências:


Agradecimentos (novamente) ao Nume Finório pela revisão e bate papo, e ao Alexandre Lancaster pelas discussões e por todo apoio.

As imagens usadas neste artigo pertencem a Alexandre Lancaster e Jambô Editora.

Sobre Edu Guimarães

Mestra RPG desde os 10 anos e nunca mais parou. É nerd, biólogo, Leal e Bom.