Tormenta: Como Yuden faz a guerra?

A nova série chegou! Mestres da Guerra irá falar em mais detalhes sobre como as principais nações militarísticas de Arton fazem a guerra, suas fortificações, escolas e organizações militares, além […]

A nova série chegou! Mestres da Guerra irá falar em mais detalhes sobre como as principais nações militarísticas de Arton fazem a guerra, suas fortificações, escolas e organizações militares, além de planos secretos de contingência para conflitos com outras potências artonianas. Mestres da Guerra começa pelo Exército com Uma Nação, Yuden. Novos posts toda segunda, quarta e sexta. Aproveitem e tentem descobrir quem são os demais Mestres da Guerra, tá fácil! 🙂

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A doutrina militar de Yuden muda constantemente, mas duas coisas se mantém inalteradas não importa que tipo de doutrina seja adotada, a disciplina do soldado comum e a excelência tática e estratégica dos oficiais. Em Arton apenas os legionários táuricos se comparam aos soldados yudenianos em disciplina, e os oficiais de Yuden são, sem qualquer competição, os melhores do mundo.

Ao contrário da maior parte dos outros países do Reinado, Yuden mantém um exército verdadeiramente profissional, com a utilização de conscritos apenas em casos de emergência nacional. Cada soldado recebe treinamento exaustivo e constante ao longo de toda a sua carreira, não sendo incomum ver suboficiais de sessenta anos correndo o percurso matinal de quinze quilômetros com os novos recrutas. Aqueles incapazes de manter o ritmo são sumariamente dispensados (ou aposentados com honras, se tiverem pelo menos trinta anos de serviço). Somada a disposição natural para a disciplina deste povo, isto gera soldados extremamente leais a hierarquia militar, prontos para cumprir qualquer ordem, por mais absurda que lhes pareça.

A hierarquia militar, por sinal, é a mais complexa do Reinado. Um recruta só se torna um soldado depois de um ano de serviço, após o qual deve esperar pelo menos outro ano para ser promovido a soldado de primeira classe, mais dois para se qualificar para uma promoção a cabo, e depois de outro ano pode prestar o exame para a Escola de Sargentos. De lá ele sairá como terceiro-sargento, e a cada período de cinco anos será promovido automaticamente para segundo-sargento, depois primeiro-sargento e finalmente, depois de pelo menos vinte e cinco anos de serviço, atingirá o topo da carreira de soldado com o posto de suboficial. Embora seja possível para um soldado de carreira se tornar um oficial, isto normalmente acontece logo no princípio de sua carreira, quando ele é indicado para a Escola de Oficiais de Guerra de Yuden por um oficial superior.

Em geral, cada promoção envolve pequenas tarefas extras e um aumento do soldo, estas pequenas tarefas geralmente envolvem algo com que os mais graduados podem atormentar o soldado em nome da disciplina. Um soldado de primeira classe, por exemplo, é responsável por manter todos em seu pelotão em dia com a limpeza de suas armas. Não importando muito o grau de sucesso dele, seu superior direto irá aleatoriamente o condenar ou elogiar pela tarefa, sem nenhuma lógica aparente. Na Escola de Sargentos um professor uma vez resumiu assim a função de seus alunos: “vocês devem garantir que um soldado seja disciplinado de tal maneira que, no dia a dia, ele sinta uma vontade constante de estripar alguém, nós precisamos dessa agressividade no campo de batalha”.

Já os oficiais começam como segundos-tenentes, comandando um pelotão de uma companhia sob as ordens de um capitão, eles são promovidos automaticamente para primeiros-tenentes após três anos de serviço, quando então ficam qualificados para uma promoção para capitão. Ao contrário dos soldados, cuja progressão de carreira é quase sempre automática com base no tempo de serviço, a partir de primeiro-tenente um oficial só progride na carreira através do reconhecimento de seus méritos pelos seus superiores, que detém o poder de conceder-lhe uma promoção ou não. Dessa maneira, oficiais incompetentes são “enterrados” por seus pares e permanecem décadas sem progredir, garantindo a qualidade do corpo de oficiais.

Um capitão comanda uma companhia, que geralmente tem quatro pelotões de vinte e cinco homens. Depois de dois anos de serviço, ele é qualificado para uma promoção a major, o menor posto dos oficiais superiores, razão pela qual ele deve passar por mais um ano de treinamento na Academia Superior de Guerra. O major ajuda um coronel a comandar um regimento, que é formado por dez companhias, tendo em média mil homens, ou pode ter outras funções específicas, como comandar uma fortificação ou controlar as comunicações do regimento. Depois de três anos, o major pode receber uma promoção para coronel, que normalmente comanda um regimento, além de atuar muitas vezes como porta-voz da autoridade de um general em uma situação específica. Depois de dois anos, o coronel pode ser promovido a brigadeiro-general.

O generalato é ainda mais hierarquizado, embora não haja restrições de tempo de serviço para promoções, e começa pelo brigadeiro-general, que é apto a comandar uma brigada de cinco regimentos totalizando cinco mil homens. Uma brigada pode atuar como um pequeno exército, mas em geral forma com outras brigadas uma divisão, que pode ter entre duas a quatro brigadas. Uma divisão é comandada por um general de divisão, e normalmente é reconhecido como um exército yudeniano básico para atuação efetiva contra outras forças nacionais de Arton. Yuden possui seis divisões que somam um total de oitenta e cinco mil homens, que então são divididas em três corpos do exército. O I e II Exércitos são oficialmente responsáveis pela proteção de Yuden contra ameaças que tentem invadir o reino, enquanto o III Exército é uma espécie de exército de choque, sendo composto pela elite das divisões yudenianas, este é o exército que combateu e venceu o exército de bárbaros corrompidos pela Tormenta cinco anos atrás. Cada corpo do exército é comandado por um general de exército, que por sua vez recebe suas ordens diretamente do regente ou de um marechal de guerra. O marechal de guerra é um cargo especial e temporário, com um general de exército sendo apontado para comandar quando o regente está inapto para isto, seja porque foi ferido, morto ou é jovem demais para ter um comando efetivo sobre as forças militares do país.

Além deste exército amplo e organizado, cada cidadão do reino deve passar por um período obrigatório de seis meses de adestramento militar não remunerado, onde aprendem a usar armas e armaduras, lutar em formação, manobras militares básicas e outras amenidades da vida militar. Isto gera uma reserva de homens que podem ser chamados as pressas ao serviço militar e reforçar enormemente o exército. Este tipo de recrutamento em massa, no entanto, nunca foi usado. A razão é que os yudenianos jamais enfrentaram um desafio que não pudessem vencer apenas com seu exército regular.

A doutrina militar de Yuden está em constante mutação a cada geração, graças a grande excelência de seus oficiais. Por exemplo, há alguns anos foi criada a Primeira Companhia, uma unidade de elite com treinamento extremo, que atua em terreno hostil atrás das linhas inimigas com independência. Eles são a resposta de Yuden aos grupos de aventureiros usados por Deheon durante séculos. Agora, há a tentativa dos generais mais jovens de substituir as tradicionais paredes de escudos e cargas de cavalaria pelo que chamam de doutrina de armas combinadas, formalizada na tática do quadrado yudeniano, também chamada de terço yudeniano.

O quadrado yudeniano é uma formação de cerca de três regimentos com um terço de piqueiros e espadachins e dois terços de besteiros, daí o nome não oficial de terço. Os piqueiros formam um quadrado oco, protegendo espadachins e besteiros dentro do quadrado, de onde os besteiros disparam suas setas e recarregam tranquilamente sem precisar se preocupar em ser atacados, enquanto os espadachins atuam como uma força de choque, assaltando formações inimigas enfraquecidas pelo fogo dos besteiros e pelos golpes dos piques. Desta forma, o quadrado yudeniano é uma formação tanto defensiva quanto ofensiva, cujas armas combinadas de besteiros, espadachins e piqueiros a tornam, ao mesmo tempo, uma formação defensiva, de artilharia e de choque! Apesar da mudança ainda estar em curso, com apenas uma das brigadas yudenianas plenamente treinada e equipada para as novas táticas, os generais acreditam que esta formação irá mudar a maneira como se combate em Arton pelos próximos séculos.

O uso de conjuradores arcanos e divinos nos exércitos de Yuden é bastante distinto do resto do Reinado. De um lado, todos os conjuradores arcanos do reino são identificados pela polícia secreta e “convidados” a entrar para o exército, sendo monitorados constantemente caso recusem e sofrendo “acidentes” se mostrarem “tendências antipatrióticas”. Por causa disto, Yuden mantém uma boa quantidade de tropas arcanas, mas a maioria concorda que elas são padronizadas demais. Todos os conjuradores conhecem as mesmas magias, as lançam da mesma maneira e usam as mesmas táticas, sendo bastante vulneráveis a surpresas no campo de batalha. Os yudenianos não enxergam isto como uma falha, preferindo confiar na força de sua disciplina e na engenhosidade de seus oficiais para superar eventuais surpresas.

Já no campo divino, a Igreja de Keenn funciona praticamente como um braço do exército em Yuden, com cada companhia contando com pelo menos um clérigo da guerra. Embora os generais pudessem sentir-se mais confortáveis com estes conjuradores atuando na retaguarda devido ao seu valor estratégico, os devotos de Keenn nunca foram conhecidos por fugir de uma luta, e insistem em sempre lutarem na linha de frente. Por um lado, isto gera uma linha especialmente forte, com apoio mágico ofensivo máximo. Por outro, estes devotos acabam se tornando alvos preferenciais dos ataques da tropa inimiga engajada na linha de frente.

Com tudo isto em mente, é preciso lembrar que Yuden ainda combate mais ou menos da mesma forma que Deheon, com os regimentos de infantaria leve formando uma parede de escudos e enfraquecendo a linha inimiga para as cargas da cavalaria pesada, enquanto a Primeira Companhia age quase como um espelho do Protetorado do Reino, cumprindo as mesmas missões, mas sem heroísmos. A principal diferença de doutrina entre as duas nações, atualmente, é o foco em qualidade de Yuden, que possui um exército profissional e coeso liderado pelos melhores oficiais do mundo.

Por isso, caso um general yudeniano típico enfrente um inimigo desconhecido, é quase certo que ele obterá uma vantagem onde não havia nenhuma. Seja através do uso inteligente do terreno, uma manobra brilhante executada com perfeição ou a neutralização de uma tropa inimiga vital, ele tentará algo inédito ou muito difícil de ser executado apenas porque ele tem plena confiança de que seu exército irá obter o sucesso. A forma mais básica de combater, no entanto, é o uso dos regimentos de infantaria leve no centro formando uma parede de escudos junto aos devotos de Keenn que oferecem apoio mágico próximo, com os flancos da linha sendo protegidos contra ataques de cavalaria leve com regimentos de piqueiros e a retaguarda formada pelos regimentos de arqueiros, besteiros e conjuradores arcanos que se concentrarão em amaciar a linha de frente para a carga dos regimentos de cavalaria pesada, que permanecem na reserva até o momento crítico da batalha. Se houver regimentos de piqueiros em número suficiente, eles também reforçarão a linha de frente, ficando diretamente atrás da parede de escudos e aproveitando o alcance maior dos piques para atacar através dela.

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Sobre Nume Finório

João Paulo Francisconi, entre outras enormes perdas de tempo, é blogueiro há dez anos, escreveu para a finada Dragon Slayer, publicou alguns livros de RPG e assistiu quatro episódios de Punho de Ferro.