Tormenta: história militar de Arton, Rebelião dos Servos

Rebelião dos Servos 1101 c.e. ─ 1107 c.e. Em 1100 o território do reino de Sambúrdia era gigantesco, compreendendo também o atual reino de Trebuck. Por causa do tamanho era […]

Rebelião dos Servos

1101 c.e. ─ 1107 c.e.

Em 1100 o território do reino de Sambúrdia era gigantesco, compreendendo também o atual reino de Trebuck. Por causa do tamanho era difícil demais controlar e coletar impostos corretamente em todo o território. Por isto o regente à época, Wogar Aranth, resolveu enviar seu filho Aggaron para administrar o território ao norte.

Teria dado certo não fosse a extrema ambição e arrogância de Aggaron. O jovem herdeiro resolveu explorar “suas” terras, aumentando absurdamente os impostos, fazendo com que quem não pudesse pagar quatro impostos seguidos (algo bastante comum) tivesse suas terras confiscadas e se tornasse um servo de um dos nobres da corte de Aggaron. Um servo devia trabalhar nas suas antigas terras, agora pertencentes a um nobre, e pagar 70% da sua produção a ele, além de ainda ter que pagar seus impostos.

Em menos de um ano a maior parte dos plebeus haviam se tornado servos, e a revolta finalmente explodiu em Crovandir, onde um experiente guerreiro chamado Gareth Friedel liderou os aldeões e tomou o castelo, prendendo o nobre local e sua corte nas masmorras. Começava a Rebelião dos Servos.

Aos poucos os aldeões de Gareth se organizavam sob sua liderança. Mercenários de todo o Reinado eram atraídos por promessas de terras quando o conflito acabasse. O feito em Crovandir também inspirou outras vilas e cidades a se rebelar. Assustado com a revolta de seus súditos, Aggaron fugiu para a capital em busca da ajuda do pai.

Wogar não recebeu bem as más notícias e, revoltado com o filho, o enviou de volta com um destacamento de quinhentos soldados para derrotar os rebeldes. Infelizmente, o conflito não era mais uma simples revolta de aldeões, pois Gareth usou o seu tempo para treinar cada braço disponível, assim como recrutou mercenários como oficiais e construiu fortes para deter o avanço das tropas de Sambúrdia. Mesmo mulheres, lideradas por Luna Azievel Friedel, esposa de Gareth, lutaram na guerra, posteriormente tornando Trebuck um dos reinos mais igualitários do Reinado em questão de gênero.

O conflito então se arrastou por anos com enorme violência. Cidades eram capturadas e retomadas dias depois, batalhões eram dizimados em batalhas sangrentas. A rebelião poderia ter durado por muito mais tempo se os rebeldes não tivessem capturado Aggaron durante um ataque mal sucedido a Forte Arantar. Uma mensagem foi enviada então a Wogar: ele deveria ceder as terras tomadas pelos rebeldes para a fundação de um novo reino ou Aggaron seria executado em praça pública em Crovandir, a cabeça lhe seria enviada numa bandeja de prata e o conflito continuaria ainda mais sanguinário.

O coração de pai pesou mais que a coroa em sua cabeça e Wogar cedeu. Assim que recebeu o filho de volta, o regente de Sambúrdia ainda tentou assassinar o homem que levava o documento reconhecendo o novo reino para Deheon, mas o mensageiro emboscado por seus assassinos era uma distração para que um segundo mensageiro, este sim levando os documentos reais, escapasse. Com isto, a Rebelião dos Servos acabara, e Trebuck foi oficialmente fundado. Trebuck, na antiga língua arcaica, Lalkar, significa “Liberdade”.

Beligerantes: Rebeldes vs Sambúrdia.

Alianças de Destaque: nenhuma.

Rolando uma campanha durante o conflito

A Rebelião dos Servos é um movimento com muito potencial heróico. São pessoas comuns se levantando contra um regime opressor em nome da liberdade. Do ponto de vista da maioria dos aventureiros bondosos, é praticamente impossível não se posicionar a favor dos rebeldes. Apenas aventureiros leais devem sentir alguma simpatia por Sambúrdia, enxergando apenas a questão da falta de legitimidade dos rebeldes. Mas mesmo estes não podem negar que Aggaron desobedeceu as leis do reino ao tentar explorar impiedosamente os súditos de seu pai que estavam sob sua tutela.

Neste caso há espaço para dois tipos de campanhas. Em uma, os heróis lutam ao lado dos rebeldes pela liberdade, e em outra eles tentam encontrar uma solução pacífica e legítima para o conflito.

Para grupos que escolham lutar com os rebeldes, as missões mais típicas envolvem liderar tropas em batalha, defender ou conquistar vilas e fortes, obter inteligência sobre a movimentação inimiga e apoio logístico, como defender caravanas de armas contrabandeadas de reinos vizinhos ou transporte de suprimentos para tropas. O ponto alto da campanha, óbvio, seria a captura, pelos heróis, de Aggaron. Neste caso a escolha dos heróis será essencial para o destino da campanha. Se matarem o jovem príncipe tirano seu pai ficará furioso e liderará pessoalmente suas tropas contra os rebeldes, mas, se o pouparem, seu resgate será a paz. Não diga isto aos jogadores, claro, e se eles esquecerem este detalhe, quanto melhor. Lembre-se de incluir muitos encontros menores onde os heróis aprenderão a odiar Aggaron.

O segundo tipo de campanha pode começar com os heróis lutando com Sambúrdia contra os rebeldes e, com o tempo, perceberem que estão apenas ajudando um homem cruel a escapar das consequências de seus atos. Quando isto acontecer, há várias opções para os jogadores, eles podem mudar de lado, tentar convencer Wogar das falhas de seu filho e da necessidade de negociar um acordo de paz, ou então levar a questão a autoridades superiores, apresentando provas da desonestidade de Aggaron e pedindo a Deheon para intervir e forçar a paz. Este é um caminho difícil, pois quanto mais o conflito escala, menos os dois lados estarão dispostos a se comprometer com a paz em termos não absolutos.

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Sobre Nume Finório

João Paulo Francisconi, entre outras enormes perdas de tempo, é blogueiro há dez anos, escreveu para a finada Dragon Slayer, publicou alguns livros de RPG e assistiu quatro episódios de Punho de Ferro.