Tormenta: preparando-se para a guerra

A maioria das nações de Arton possui pequenos exércitos permanentes, que ficam concentrados nas principais cidades e fortificações, mas é um erro pensar que este é todo o poderio militar […]

A maioria das nações de Arton possui pequenos exércitos permanentes, que ficam concentrados nas principais cidades e fortificações, mas é um erro pensar que este é todo o poderio militar que elas podem reunir.

Manter exércitos profissionais é custoso. O soldado não planta, não faz comércio, não dá lucro. Sua única função é matar os inimigos do reino. Fora da guerra, eles são basicamente um peso morto, se não para a sociedade, que mesmo na paz precisa da proteção constante desses homens de armas contra bandidos, monstros e vilões, pelo menos para os cofres do estado. Por causa disto, o número de soldados em tempos de paz é reduzido ao mínimo necessário para manter a paz e garantir a segurança nacional contra ameaças externas. A primeira ação de um regente que decide fazer a guerra, então, será armar um exército.

Armar um exército é um processo demorado e custoso no curto e médio prazo para uma nação. Reunir o exército pode demorar meses ou até mesmo anos, dependendo de quão dispersa é a população. Em estados feudais, quando o rei chama seus vassalos para a guerra, deve esperar que cada nobre receba a mensagem, raspe o fundo do seu tesouro para armar suas tropas e marche para encontrar seu suserano e dali, finalmente, ir para a guerra. Em outros lugares, existe o costume da comissão. O rei ou suserano faz um contrato com nobres e cavaleiros para que eles tragam determinado número de tropas. O contrato determina o tipo de equipamento, treinamento e a condição física exigida dos soldados, e quanto eles receberão de soldo, além do valor da comissão a ser recebida pelo nobre ou cavaleiro por reunir e comandar seus homens no exército real.

Quanto aos custos, no curto prazo, o regente precisa gastar uma fortuna para obter armaduras, armas e suprimentos necessários para o seu exército. Muitos regentes chegam a penhorar as jóias da coroa para obter o dinheiro necessário para um empreendimento militar. No médio prazo, os plebeus convocados para lutar não realizarão seus ofícios durante o tempo em que servirem no exército, o que significa uma colheita menor, menos comércio, e conseqüentemente menos impostos sendo pagos para a coroa. Não por acaso nobres fazem orações aos deuses rogando pela vitória no campo de batalha, um fracasso pode arruinar uma nação por toda uma geração!

Isto é válido para uma guerra no exterior, é claro. Em casos de invasão, o suserano normalmente pode esperar custos menores e maior facilidade para reunir tropas. Mercadores temerosos de ver suas posses pilhadas pelo inimigo farão doações generosas para abastecer o exército real; nobres lutarão não apenas por glória e lucro, mas pela necessidade de defender seus próprios feudos; plebeus, que de outra maneira teriam que ser recrutados à força, fazem fila para receber suas cotas de malha e lanças. Mas ainda assim, este é um processo demorado. Um ataque surpresa pode dominar as principais cidades e castelos do reino antes que um exército possa ser efetivamente construído, e então será tarde demais. Foi o que aconteceu com os reinos humanos do oeste durante as Guerras Táuricas. Pegos de surpresa e com as forças feudais incapazes de se reunirem em um verdadeiro exército, a nobreza e o povo foram condenados à rendição ou a uma longa guerra de Resistência à ocupação.

Sobre Nume Finório

João Paulo Francisconi, entre outras enormes perdas de tempo, é blogueiro há dez anos, escreveu para a finada Dragon Slayer, publicou alguns livros de RPG e assistiu quatro episódios de Punho de Ferro.