Millenia

Em 2995, o homem vive a suprema aventura. Lançado em 1995, Millenia é um dos primeiros RPGs nacionais, o primeiro (e ainda único) de temática de ficção científica, buscando incorporar […]

Em 2995, o homem vive a suprema aventura.

Lançado em 1995, Millenia é um dos primeiros RPGs nacionais, o primeiro (e ainda único) de temática de ficção científica, buscando incorporar o melhor dos gêneros Space Opera, Cyberpunk, Hard SF e Science Fantasy. E para a época era um livro muito bem produzido. A capa desenhada em computação gráfica era de tirar o fôlego (lembrem-se, era 1995), as ilustrações internas eram, em geral, boas, as que abriam os capítulos eram excelentes, a diagramação e projeto gráfico eram os melhores de qualquer RPG disponível na época. O sistema utilizava apenas d6 e pecava pela dependência exagerada de tabelas, nada que não fosse comum nos RPGs de então. É uma pena que não seja muito lembrado hoje em dia.

O jogo tinha regras para hackear computadores, viagens espaciais, geração de sistemas estelares e planetas, combates entre naves estelares e o maior capítulo de equipamento que já saiu em um RPG nacional. Os personagens de Millenia tinham à disposição Armas Laser, Armas de Gauss, Trajes gravíticos, Exoesqueletos, Robôs, Androides, Carros de luxo, Jatos gravíticos, Implantes, tudo que um aventureiro poderia desejar. E o cenário tinha uma história de fundo grandiosa, perfeita para campanhas em que um grupo de heróis pode movimentar o destino da galáxia!

História

A história da República é repleta de lutas e desafios constantes, uma nação feita a ferro e fogo no meio de um turbulento ambiente

-Crofalt

A história da República começa após a – e como consequência da – guerra contra a dominação Fentom. Os Fentons eram alienígenas insectóides que dominaram a galáxia por 200 anos. Com tecnologia, organização e inteligência superior, eles governaram com mão de ferro as outras raças. Eram extremamente xenófobos e fanáticos, acreditando-se superiores a todas outras raças, que eles utilizavam como trabalho escravo. Por volta de 2700 o Império Fentom começou a se desgastar e enfrentar conflitos internos.

Grupos de resistência à dominação Fentom agarraram essa oportunidade e iniciaram uma revolta de escravos. Armando naves mercantes com armas adaptadas de ferramentas industriais e de mineração, começaram a retomar seus planetas e travar uma guerra final cotra o inimigo dividido. A guerra devastadora durou mais de dez anos, acabando apenas em 2745, com um saldo de 56 espécies sapientes exterminadas, 194 planetas habitáveis destruídos e o fim da dominação Fentom.

O movimento Memória Perpétua, liderado por Crofalt, foi instrumental para organizar a reação humana e coordenar os levantes de escravos, assegurando a vitória. Era originalmente um movimento de resistência contra a dominação Fentom que apagava as culturas das raças dominadas. O foco do movimento era preservar a herança cultural e histórica humana. No final da Guerra, em 2743, Crofalt realiza seu sonho de fundar uma República nos moldes Romanos. Esse governo foi muito eficiente em organizar as legiões e a frota espacial como forças leais aos ideais da República, e agiu como força aglutinadora naquela era caótica e violenta.

Após um período turbulento, uma nova empreitada muda o destino da Galáxia. Em 2820 começa uma cruzada contra os Fentons remanescentes, com a união de seis raças: Vorgans, Humanos, Dracons, Fúrios, Nícteos e Mawis. As batalhas se reiniciaram e recrudesceram, chegando a ameaçar a Terra, mas em 2821 os últimos vestígios da raça Fentom foram varridos da galáxia.

Com o fim do inimigo comum, as raças começaram a reorganizar e disputar territórios. Muitos sistemas foram dominados pela República, seja por terem ficado em setores já dominados por ela, por simpatia pelas causas republicanas, por admiração ao sucesso contra os Fentons ou pela força das armas. Depois de ter sido testada em Guerras contra os Vorgans e em atritos com a Esfera de Co-prosperidade, a República se firma como a maior e mais respeitada nação deste arco da Via-Láctea.

millenia_capaTecnologia

O nível tecnológico de Millenia segue por um caminho de FC Hard conservativo. Ou seja, apesar de tecnologias terem avançado até NT 10, elas não repercutiram socialmente como em, por exemplo, Transhuman Space. Pelo contrário, as normas sociais são muito parecidas com as atuais (e em alguns casos refletem normas sociais do período republicano de Roma).

Sendo FC Hard, não existem tecnologias supercientíficas (NT^) que desafiam as leis da física como as conhecemos hoje. Não há campos de força, espadas laser, teletransporte. A exceção são o motor de dobra, que permite viagens mais rápidas que a luz (de 1 ano-luz por hora até 300 anos-luz por hora) e tecnologia gravítica, que permite veículos anti-gravidade e gravidade artificial dentro das naves. Com essas limitações, todos os equipamentos do módulo básico de NT 10 ou menos estão disponíveis. O combate é normalmente travado com Armas de Gauss contra Trajes Táticos, mas as Legiões tem disponíveis Armas Laser e Trajes de Combate.

Sociedade

A República existe em uma sociedade de classes. Em primeiro lugar estão os Cidadãos Metropolitanos, menos de 1% da população, que tem direito de ir e vir, direito a voto, direito de entrar e residir na Metrópole (a Terra, capital da República). Eles tem Status +1 e Reconhecimento Social. A maior parte da população são Cidadãos de Primeira Classe, Hasjari e Humanos sem modificações, tem Status normal, direito de ir e vir e direito ao voto. Abaixo deles estão os Cidadãos de Segunda Classe, alienígenas de raças aliadas e humanos geneticamente modificados pelos Fentons que sejam ex-escravos, tem status -1 e direito de ir e vir. Escravos ainda existem em algumas províncias atrasadas da República, normalmente são máquinas e humanos modificados geneticamente pelos Fentons, têm Status -2 e Estigma Social: Propriedade Valiosa. Estrangeiros tem o direito de ir e vir assegurado.

A República engloba centenas de raças alienígenas (alguns como os Hasjari, Kuihers, Baikans, Pierbodis e Guiratans podem ter cidadania de primeira classe), humanos modificados pela exploração espacial (por terem nascido e crescido em Gravidade Zero, Baixa-G ou Alta-G) e humanos que foram geneticamente modificados pelos Fentons. Esses últimos são vítimas de discriminação por terem sido melhor tratados (por serem mais úteis, os Fentons eram extremamente pragmáticos) e serem um produto da manipulação Fentom. Mesmo os melhores diplomatas tem dificuldade de acalmar o caldeirão de tensões que essa mistura cria dentro da República.

Os vizinhos da República também causam preocupação. A Vorgânia Oriônica já entrou em guerra com a República no passado recente, e mesmo em paz, frotas de colonizadores eventualmente invadem as fronteiras da Província de Câncer para colonizar à força planetas jardim, precisando ser repelidos. Do outro lado da República a Esfera de Co-Prosperidade, um estado corporativo autoritário e supremacista, continua a interferir na Zona Neutra de Perseu, em flagrante desrespeito ao tratado mediado pela República entre eles e o Ducado de Meltnia, uma monarquia aliada da República. Uma guerra na região parece apenas uma questão de tempo, principalmente por que os Pierbodis, cidadãos da República e influentes dentro das legiões, querem retomar seu planeta natal, que atualmente está em território da Esfera, onde sua raça é brutalmente tratada. Além destas ameças, a Liga da Fraternidade Universal apresenta um pesadelo diplomático constante, uma vez que é uma coleção de nações fracamente aliadas e com governos díspares que estão sempre em disputas uns com os outros.

Publicado Originalmente no GurpsNation em 12/01/2011

Sobre Hackbarth

Tiago Hackbarth é um gaúcho de Porto Alegre, computólogo, rato de biblioteca, rpgista, brony, ateu, furry, linux-user e nerd. Não necessáriamente nessa ordem. Nas horas vagas escreve para o Roleplayer e monta miniaturas de papel. Quando surge uma oportunidade, mestra Gurps.