Resenha: A Constelação do Sabre, vol. 1

A Constelação do Sabre é o primeiro suplemento lançado para Brigada Ligeira Estelar, o cenário de ficção científica com mechas criado por Alexandre Lancaster para o 3D&T Alpha. Grosso modo, […]

A Constelação do Sabre é o primeiro suplemento lançado para Brigada Ligeira Estelar, o cenário de ficção científica com mechas criado por Alexandre Lancaster para o 3D&T Alpha. Grosso modo, podemos dizer que ele seria um equivalente a’O Reinado: uma descrição detalhada de cada um dos mundos que fazem parte da Constelação, com detalhes históricos, lugares de interesse, e mesmo um NPC completo com background e ficha de jogo para cada planeta. Material demais para um só livro, diriam alguns; por isso ele foi dividido em dois, com o primeiro volume contendo os planetas de A a G, mais um capítulo extra com novos kits, vantagens e robôs e um apêndice descrevendo a capital imperial.

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É interessante notar a diferença que há para um cenário de ficção científica que abrange uma constelação inteira para um de fantasia com apenas um ou dois continentes. Alguns podem sentir falta de um mapa para cada mundo, por exemplo; no entanto, como seria possível colocar um mapa de um planeta inteiro em cada capítulo? Saber exatamente o que há em cada quilômetro quadrado acabaria sendo até meio redundante, se você levar em consideração que todos os planetas devem ter áreas mais geladas nos pólos, mais quentes próximas ao equador, cadeias de montanhas, cidades costeiras… Com a tecnologia avançada, calcular exatamente o tempo de viagem de um ponto a outro é desnecessário, e, pela própria dinâmica que há no gênero, é difícil imaginar que você perderá tempo explorando exaustivamente cada planeta. Há dezoito outros mundos que você vai querer conhecer também, afinal!

Seria legal, claro, ter no futuro um livro exclusivo para cada planeta, que o descreva em todos os seus detalhes mais específicos, diminuindo aquela sensação de vazio ao se pensar no espaço físico que o cenário abrange, que eu já havia comentado na resenha anterior. Mas há de se ser realista também e entender que isso dificilmente virá a acontecer, e o livro cumpre muito bem a função de dar um gostinho de cada mundo e oferecer ganchos e idéias do que encontrar neles.

Há um esforço bem nítido também de dar a cada mundo uma personalidade própria, e, mais do que isso, algo a se fazer em uma aventura ou arco de campanha. Não há nenhum que esteja livre de problemas – mesmo naqueles onde a situação interna é mais estável, há ameaças externas como os Proscritos ou o relacionamento com outros planetas. Há uma boa variedade de possibilidades: desde os mais envolvidos na política imperial, como Albach e Bismarck, onde uma campanha eventualmente envolverá toda a Constelação, até aqueles que são praticamente mini-cenários encerrados em si próprios, como a exótica Altona e os seus mistérios alienígenas, que já dão mote para uma campanha inteira com direito até a uma Undermountain particular. Entre um e outro, um mundo shoujo (Annelise), um centro político de intrigas (a Estação Parlamentar), até mesmo um mundo sombrio semi-feudal, com referências nem tão ocultas a Elizabeth Bathory e Vlad Tepes (Arkadi).

Em geral, há um detalhamento bem forte nos aspectos político, econômico e social de cada mundo, com uma profundidade que algumas vezes beira o academicismo. Meu sentimento quanto a este ponto é meio ambíguo: é interessante ver que há esse cuidado aprofundado em detalhar o funcionamento da sociedade de cada planeta, mas às vezes me parece o tipo de coisa que extrapola as necessidades de um jogo de RPG, e parece até mesmo com um certo manifesto político (é impossível não notar as inspirações em situações bem contemporâneas do nosso próprio mundo, por exemplo). Mas é algo que faz parte do estilo do autor, e não prejudica realmente o livro ou o cenário.

Se há um ponto negativo no livro mesmo, é a relativa falta de ilustrações. Todas as que estão no livro são lindas, mas se resumem praticamente a uma abertura para cada capítulo, e eventualmente uma mostrando o NPC daquele planeta. BLE já demonstrou ter uma qualidade gráfica ímpar, sendo facilmente o cenário melhor ilustrado para 3D&T, e dá uma certa tristeza ver um livro com poucas imagens assim. Muitos pontos poderiam se beneficiar de uma ilustração, como alguns lugares de interesse e os novos mechas que aparecem no capítulo de regras.

Mas isso nem de longe torna o livro menos do que sensacional. A Constelação do Sabre é um lugar muito divertido de se explorar e viver aventuras, e o livro faz jus a tudo que o primeiro já prometia, e deixa mesmo aquele gostinho de quero mais ao chegar no fim, uma ânsia de ver logo o segundo volume. Além disso, o carisma de muitos dos NPCs nos dá aquela vontade de vê-los interagindo… E aí, Lancaster, quando teremos uma história em quadrinhos ou romance da Brigada?

A Constelação do Sabre vol. 1, de Alexandre Lancaster.
80 páginas por R$ 25,00, ou R$ 22,50 na Loja Jambô.

Sobre BURP

Buenas, sou Bruno Schlatter, conhecido por alguns como BURP. Sou gremista, gaúcho, professor de História, RPGista, HQéfilo, gamemaníaco, anarquista desencantado, guitarrista frustrado, blueseiro apaixonado, leitor obsessivo, pseudo-escritor amador e outras coisas menos interessantes.