Uma Rajada do Passado – Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth

Hoje temos Amnesia, Penumbra e outros jogos no estilo “terror insano”, mas antes desses jogos indies e alternativos, em 2006 tivemos Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth para Xbox, […]

Hoje temos Amnesia, Penumbra e outros jogos no estilo “terror insano”, mas antes desses jogos indies e alternativos, em 2006 tivemos Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth para Xbox, PS2 e PC. Produzido pela desconhecida Headfirst Productions e a 2K Games, é o jogo que criou esse formato de FPS.

Recentemente tive a oportunidade de jogar essa relíquia ignorada, como a maioria dos jogos relacionados a Cthulhu (porque todo mundo tem medo do assunto e tal). E com razão: diga-me se você já ouviu falar de Prisoner of Ice (Infogrames, 1995). Esse jogo não é seu FPS padrão, ele é um FPS de terror. E não estou falando de terror “cabeça” que faz com que você pense muito no que está acontecendo, com quase nenhuma ação e uma impossibilidade ridícula de se defender das coisas que te atacam.

No começo você anda para cima e para baixo desarmado mas tudo bem, você não precisa de armas. E, já que você não precisa de armas, para que você vai querer um HUD (heads-up display, ou “informações sobre a cabeça”) com dados sobre saúde, munição e armadura? Você não precisa disso, de forma alguma.

O que você precisa para avançar na história congelante do jogo é muita coragem e mente firme. Claro que o jogo não é tão aterrorizante para quem já jogou outras coisas mais recentes, como Dante’s Inferno (jogo perturbador), mas com certeza ele afeta a sanidade do personagem, Jack Walters, um investigador particular no ano de 1922. E com sua sanidade se vai  a capacidade de você, jogador, prosseguir. Quando as coisas começam a ficar perturbadoras demais para Jack, é aí que você começa a sentir os efeitos: a visão fica borrada, ondulada, tremida, caminhar se torna difícil. Se você estiver usando um headphone a diversão aumenta, já que você começa a ouvir sons estranhos e vozes de coisas que não estão ali.

Quando o personagem sofrer dano a tela não vai ficar vermelha e nem vai ter uma seta indicando de onde o ataque veio, você só vai saber o que aconteceu quando ouvir a respiração ofegante de Jack e as batidas aceleradas de seu coração. Se a tela estiver perdendo as cores, você está péssimo, amigo. Para dar um jeito nos seus problemas de saúde, você tem que usar itens específicos para cada tipo de dano: cortes, perfurações e até fraturas! E envenenamento também, mas esse é raro… Não se preocupe, não vai ter que ficar caçando cada item específico, todos eles vêm em caixas de primeiros socorros. Mas elas não são muitas, então conserve suas curas para danos sérios.

Muito do jogo depende de sua capacidade de se esgueirar (o que não é tão difícil), mas também de sua capacidade de pensar em soluções para problemas de magnitudes… inexplicáveis. Digamos que tem coisas que você não quer ver ou enfrentar.

Quando você finalmente põe suas mãos em armas, você sente certo alívio. Mas pode esquecer retículo de mira: você é um detetive em 1922, não tem dessas, não. É apontar, apertar o gatilho e torcer pra acertar o alvo, por isso é recomendado evitar muito tiroteio especialmente quando você estiver em desvantagem numérica, o que é muito comum.

Entram as coisas estranhas: a mitologia de Cthulhu, para quem não conhece, é focada na sanidade do homem diante de coisas horrendas e inexplicáveis, então acontecerão momentos em que o jogo vai lançar uma coisa bizarra na sua direção e você tem que fazer o possível para achar uma solução para seus problemas.

E quando você acha que seus problemas acabaram, eles só ficam piores. Mais perigos, mais inimigos e muito mais terror vai te assolar, meu amigo. Mas não esquenta, tem exército, marinha e FBI. Ei, você até faz parceria com um personagem famoso da história americana!

Infelizmente minha aventura foi cortada na metade, perto o suficiente de meu objetivo a ponto de quase sentir o cheiro de peixe (mas longe demais para gastar balas em sua carapaça alienígena). Meu Windows 7 decidiu que não queria mais colaborar, isso porque o jogo não roda bem em plataformas acima do Windows XP, o que não é problema para quem possui um PS2 ou Xbox. Em certo ponto, é necessário dar um zoom em um alvo e, por um motivo desconhecido, o jogo não consegue fazer isso por estar rodando em um sistema operacional pós-XP. Enfurecedor, já que eu estava sentindo minha sanidade quebrar aos poucos e meu desespero tomar conta de mim. Mas isso faz parte da diversão.

Se você está procurando por medo, terror e momentos de tensão, com certeza Call of Cthluhu: Dark Corners of the Earth é seu jogo. O grande problema dele? Ele só salva em pontos específicos. Não são raros, mas isso limita muito sua capacidade de salvar depois de algo estressante e parar um pouco.

Sobre Victor Lorandi

Escritor de contos, resenhas e críticas. Publicado pela Andross editora nas antologias Moedas para o Barqueiro Vol. 2 e Dias Contados Vol. 2. Jogador de RPG por quase duas décadas, jogador de eletrônicos por uma vida e guitarrista por dez. Multitasker desde sempre. https://twitter.com/loranditurrieta / http://ouniversovermelho.wordpress.com