Desenhando Miniaturas de Papel

Certo, você já baixou suas miniaturas de papel, já fez todas miniaturas que precisava para aquela aventura. Todas menos UMA! De maneira alguma você consegue encontrar aquela miniatura de Aboleth/Xorn/Esqueleto […]

Certo, você já baixou suas miniaturas de papel, já fez todas miniaturas que precisava para aquela aventura. Todas menos UMA! De maneira alguma você consegue encontrar aquela miniatura de Aboleth/Xorn/Esqueleto de T-Rex. E agora?
Existem maneiras fáceis de fazer miniaturas de papel, basta encontrar a imagem que você quer na internet e imprimir no formato de uma stand-up. Mas se você quer uma miniatura de papel tão ou mais bonita que as miniaturas tradicionais, talvez esteja disposto a investir um pouco mais de trabalho para deixar aquela aventura memorável. Basta um pouco de esforço e aprender a usar algumas novas ferramentas.
Em primeiro lugar você precisa de um programa de desenho e desta vez eu não vou sugerir o GIMP (mas vamos voltar ao GIMP mais tarde, aguarde um pouco). Existem dois tipos de programas de desenho: programas de edição de imagens bitmap (que não precisam estar salvas em formato BMP, esse é só um tipo de formato de imagem bitmap, assim como PNG e JPG) e programas de imagens vetoriais. É desse último tipo que vamos precisar agora.
Explicando, o editor bitmap (como o MS Paint, o Photoshop e o GIMP) trata desenhos (e fotos) como uma coleção de pontinhos coloridos (pixels, de picture elements), como se pode ver claramente dando um zoom na imagem. Um editor vetorial trata desenhos (mas não fotos, obviamente) como uma coleção de traços e formas (vetores). Ou seja, quando você faz um traço em uma imagem bitmap, o editor bitmap pinta todos pixels pelos quais o traço passa da cor selecionada, já o editor vetorial trata o traço como um vetor, ou seja ele armazena o caminho pelo qual o traço passa e permite que se mude as propriedades do traço depois de feito, trocando a cor, aumentando a espessura ou modificando o traçado dele.
Editores vetoriais mais conhecidos são o CorelDraw, Adobe Ilustrator, Inkscape e Xara Extreme. Como eu prefiro usar software livre sempre que possível, minha opção pessoal é o Inkscape, mas você pode usar qualquer um. (Se usar CorelDraw, NÃO SALVE EM .CDR).
Escolhida a ferramenta, a primeira coisa que qualquer desenhista (até mesmo os mais experientes, principalmente os mais experientes) faz é procurar referências. Digamos que eu queira um Esqueleto Morto vivo de Tiranossauro Rex. Por sorte esqueletos de dinossauro são fáceis de achar:

Imagens de esqueleto de tiranossauro encontradas na internet.

Eu poderia escolher um desses, espelhar, imprimir e pronto, mas o efeito não seria tão bom (ainda que fosse muito melhor do que colocar uma mini de dragão na mesa e pedir para os jogadores tratarem ela como um esqueleto). O propósito delas é estudar o dinossauro, ver quantos furos tem o crânio do T-Rex (quatro, afinal ele é um Diapsida), como se dispões os ossos da bacia (em Y, afinal ele é um Saurischia), e assim por diante.

Agora abrimos o Inkscape, como não sou um grande desenhista, vou traçar por cima de uma imagem de referência, então abro ela como um bitmap “embeded“.

Abrindo imagem no Inkscape.

Então vamos começar a desenhar, usando a ferramenta pencil (draw freehand lines) traçamos o contorno dos ossos de acordo com a imagem de referência. Não é necessária muita precisão, diferente dos editores bitmap, os editores vetoriais permitem que se corrija os traçados para obter o efeito desejado.

Desenhando com a ferramenta pencil.

Para isso selecionamos o traçado que queremos modificar e usamos a ferramenta Edit Path by Nodes. Note que um traçado com a ferramenta pencil tem nodos demais para se trabalhar, para simplificar o traçado mantendo a mesma forma usamos a opção Path>Simplify (Ctrl+L) umas duas ou três vezes.

Editando o traçado da imagem.

Agora podemos mover os nodos clicando nos lozangulozinhos, modificar as curvaturas arrastando as bolinhas na ponta das linhas de orientação e assim por diante. Também podemos modificar a espessura das linhas, ou até preencher as formas com cores sólidas e degradês usando Object>Fill and Stroke (Shift+Ctrl+F). Agora é hora de experimentar o que fica melhor em cada caso.

Dinossauro completamente traçado e pronto para colorir.

Depois de terminado o traçado delete as imagens de referência e salve o resultado em um SVG, que é um formato vetorial que preserva as linhas da figura. Depois disso exporte o traçado para um bitmap, que pode ser aberto no GIMP e colorido como já mostrei antes. Vá para File>Export Bitmap (Shift+Ctrl+E) e informe qual é a resolução desejada para a imagem. Lembre-se que a 300 DPI uma mini na escala 30mm deve ter aproximadamente 380 pixels dos pés à altura dos olhos (significando que cada metro mede aproximadamente 250 pixels). Nesse caso um T-Rex de 12 metros de comprimento deve ser exportado com uma largura de 3000 pixels.

Agora é só colorir!

P.S.: Quer ver como ficou o Tiranossauro?

 

Sobre Hackbarth

Tiago Hackbarth é um gaúcho de Porto Alegre, computólogo, rato de biblioteca, rpgista, brony, ateu, furry, linux-user e nerd. Não necessáriamente nessa ordem.
Nas horas vagas escreve para o Roleplayer e monta miniaturas de papel. Quando surge uma oportunidade, mestra Gurps.