TPK: Total Party Kill – Isso existe?

Muita gente fala sobre esse tal de TPK (o Total Party Kill), em que o grupo inteiro de personagens cai em um mesmo combate, mas confesso que nunca presenciei um acontecimento desses.

Pelo que dizem, essa lenda normalmente é ocasionada por uma série de pequeno fatores que, juntos, acabam em uma catástrofe brutal. O fim da campanha.

E o que parece mais lamentável é que, pelo relatos, o TPK não costuma acontecer no clímax da estória, no combate com o vilão que está por trás de tudo, mas em momentos banais, com combates que visam o mero acúmulo de XP.

Segue um relato de um TPK:

“Os jogadores entravam no covil do inimigo (dungeon clássica). O corredor se dividia para a esquerda e para a direita.

Esgueirando-se pela direita, o grupo encontra um bando de dragonianos (com vários Auraks, o dragoniano que conjura magias), clérigos de Tiamat e um necromante.

O mestre imagina que os PC´s vão dar a volta e seguir pelo outro caminho, mas não. Resolvem atacar o bando, em carga.

Pela estória, parece que o grupo morreu em 3 ou 4 rodadas, com a clériga, de joelhos, tendo sua cabeça decepada por último, logo depois de ver seu noivo, o paladino, ser desintegrado.”

Eu devo ser um mestre muito bonzinho mesmo, porque a menos que algo muito tenebroso aconteça, não consigo imaginar todos os personagens morrendo em uma mesa minha.

Não que meus jogadores não façam coisas burras. Claro que fazem!

Só que eu conduzo a situação para que as coisas não piorem.

Pra você entender melhor minha recusa em conceber essa idéia, tive até que recorrer a Wikipédia pra poder ver situações nas quais podemos nos envolver e que possam resultar em Total Party Kill:

– O mestre falha miseravelmente em balancear um encontro com o grupo:

Nesse caso, acho que o mestre deveria inventar uma forma de contornar o problema. Acho isso porque simplesmente não é justo fazer com que os jogadores sejam penalizados por um erro grosseiro do mestre.

É como quando o Luke é seqüestrado pelo monstro da neve, no Império Contra Ataca. Ao invés de comê-lo na hora, o monstro o leva para a toca, dando-lhe tempo suficiente para que recupere a consciência.

– O grupo não percebe que o grupo é inferior aos inimigos:

Normalmente isso acontece ou por falta de informação, ou por falta de comunicação.
Em ambos os casos, a culpa é do mestre.

No caso do exemplo, foi exatamente isso que aconteceu.

Se os jogadores estão se sentindo muito poderosos, é porque o mestre os fez sentirem-se assim. Normalmente, por uma sucessão de combates fáceis.

No caso de falta de informações, os jogadores não são adivinhos! A menos que o mestre deixe pistas de que os personagens lidam com um inimigo muito mais poderoso, não haverá forma de saber com quem lidarão.

Além disso, lembre-se que na maior parte das vezes, os PCs possuem atributos de inteligência maiores que seus jogadores. No caso de um jogador não perceber uma pista óbvia, um rolamento simples basta para que ele se toque do que está acontecendo.

– Um azar desgraçado se abate sobre os dados dos jogadores:

A sorte faz parte do jogo. Mesmo assim, eu acredito que a aventura é algo importante demais (e trabalhosa demais) para ser guiada livremente pelo acaso.

Às vezes, ao invés de perder a campanha, é melhor distorcer um pouco o enredo (e até mesmo as SUAS jogadas de dados) para obter uma aventura divertida.

Na minha opinião, o mestre pode roubar sim! Mesmo que seja a favor dos jogadores.

– O DM resolve matar a todos de propósito:

Isso é tão ridículo que nem dá pra discutir.
Melhor dar um período sabático para o mestre. Tomar da mão dele a responsabilidade de mestrar (por mais doloroso que isso possa parecer pra você), e deixar ele em um canto, jogando com um bardo gnomo.

– TPK faz parte do jogo (como em Call of Cthulhu ou Paranóia):

Se o TPK, eventualmente, fará parte do jogo, então não é problema.

– O grupo resolve fazer alguma coisa ridiculamente difícil, ou se matar:

Na minha opinião, essa é a única forma legítima de acontecer o Total Party Kill.
Os PCs resolvem se meter em uma confusão tamanha, ignoram os testes de inteligência pedidos pelo mestre ou resolvem fazer algo ridiculamente absurdo.

Isso acontece quando os jogadores sofrem da síndrome de “eu sou foda e faço o que quiser”.

Daí eles merecem.

Fora isso, não vejo como um grupo inteiro morrer!

Sobre Alexandre

Estagiário do vice presidente júnior do RPGista, Alexandre começou a jogar RPG em 1991, só para poder usar miniaturas e jogar dados esquisitos. Ele é o jogador que faz os ninjas e rangers do grupo. Nunca magos (porque com eles não se brinca).