Falando com o mestre: Douglas Quinta Reis

Aviso: está entrevista foi realizada via e-mail, com Douglas Quinta Reis, um dos sócios da Devir Livraria, em dezembro de 2007. No entanto, nunca foi publicada. Algumas das perguntas e respostas obtidas estão obsoletas. Visto isso. procurei manter a entrevista, editando e cortando apenas trechos referentes a lançamentos, ou que possuíssem perguntas e repostas datadas, que julgo desnecessárias e defasadas.

Para não fugir do clichê: Como e quando conheceu os jogos de RPG?

Conheci os jogos de RPG meio por acaso, procurando informação para o Recado Devir sobre uma série de livros de ficção científica chamada Wild Cards. Descobri que uma editora havia publicado um jogo baseado na série e acabei entrando em contato com a Steve Jackson Games.

Já existia RPG no Brasil nesta época?

Não. Existiam apenas alguns jogadores que tinham aprendido a jogar enquanto viviam no exterior e tinham trazido livros de RPG para o Brasil.

De onde surgiu à idéia de trabalhar com tradução e publicação deste material ?

Depois que começamos a importar livros de RPG, chegamos à conclusão que, se queríamos que o hobby se desenvolvesse no Brasil, precisaríamos de livros em português. Resolvemos publicar um e acabamos, depois de algumas voltas, batendo novamente na porta da Steve Jackson Games.

Como foi o início da Devir Livraria publicando RPG?

Complicado como todo início. Estávamos aprendendo a fazer uma coisa que nunca tínhamos feito antes que era publicar.

Como você avalia o impacto que a linha D&D 4th Edition pode  causar no mercado nacional?

Não tenho muita certeza com relação a isso. Gostaria de conhecer os livros antes de fazer uma previsão.

Qual a sua opinião, como profissional, sobre a situação do mercado Brasileiro de jogos de RPG, atualmente?

Tem um potencial enorme para crescimento. Cabe a nós amantes do hobby fazer este potencial se realizar.

O que você acha dos livros de RPG nacionais?

Não os conheço o suficiente para poder responder esta pergunta satisfatoriamente.

Trabalhando basicamente com traduções de títulos importados, a Devir Livraria se interessa em investir em escritores Brasileiros?

Claro que sim. Mais ou menos 40% a 50% de nossa produção de HQ é de autores nacionais. Grande parte dos romances de FC e fantasia que publicamos também são de autores nacionais.

Qual sua opinião sobre o RPG utilizado, também, como ferramenta educacional?

Acho que o RPG pode ser uma ferramenta maravilhosa nas escolas. Claro que depende muito de professores e bons mestres. Existe muito a ser feito nessa área.

Por que a Devir Livraria não investe em uma revista de RPG? Existem possibilidades disso acontecer algum dia?

Acho difícil. Produzir uma revista dá um trabalho danado.

O que acha das e-zines que são publicadas atualmente? Você acompanha alguma?

Muito pouco. Conheço alguma coisa de segunda mão. O pessoal aqui comenta, mas é muito difícil acompanhar tudo o que está acontecendo aqui e fora do país.

Jogo rápido:

Filme: Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre (Akira Kurosawa).

Livro: Zen e Arte de Manutenção de Motocicleta.

Revista: Pasquim (na década de 70).

Autor: Jorge Luis Borges.

Sistema: GURPS.

Cenário: Castelo Falkenstein.

Herói: Hiro (da série Heroes), mas minha personagem favorita é a Jane da série do Ender de Orson Scott Card.

Comida: Creme de arroz da Mieko.

Música: Bolero de Ravel.

Sobre Tiago Lobo

Jornalista, RPGista e um entusiasta dos Tablets vivendo em Porto Alegre.