Reiniciar personagens: Quando fazer?

restart 02 Reiniciar personagens: Quando fazer?Realizar uma releitura de um personagem nas histórias em quadrinhos é muito comum.
Acontece do personagem morrer e reaparecer renovado, com novos poderes e/ou fraquezas; ou
Mundos são destruídos e reconstruídos por causa de eventos cósmicos, trazendo novas origens, novos heróis e novos poderes; ou
A história é reescrita por criaturas de poder astral, dando uma nova vida aos antigos personagens, trazendo novas ambições, conflitos e inimigos.

E a lista continua. Tão infinita quanto a criatividade de cada roteirista.

Mas por que recriar um personagem?
Isso deve ser feito no RPG?

Normalmente, um jogador deseja recriar seu personagem quando a ficha do PC não está condizente com o que o player esperava para sua atuação na mesa.

Isso pode ser causado por uma série de fatores, que vão desde problemas na concepção do PC até a falta de planejamento para a sua evolução.

Pessoalmente, sempre que presenciei o “reboot” de algum personagem, percebi que o problema, normalmente, não era o conceito do personagem, mas apenas falta de planejamento.

O problema não era “me arrependi de fazer um ladrão, devia ter feito um mago”. Normalmente a questão se refere à mecânica do sistema. Alguma habilidade ou detalhe que não funciona da forma como o jogador imaginava.

“Gastei muitos pontos nesse poder e está sendo inútil. Posso diminuir isso?”

Se o problema é “um detalhe”, por que deixar que “um detalhe” atrapalhe a diversão do jogador?

A nova edição do D&D, por exemplo, assume essa possibilidade ao introduzir as regras para “re-treino”, quando um personagem pode deixar de lado alguma habilidade para aprender outra em seu lugar.

Pensando nisso, elaborei uma lista de vantagens e desvantagens sobre o assunto.
Leia, critique e decida o que se aplica na sua mesa de jogo.

Vantagens e oportunidades:

- Fazer um jogador feliz
“Rebootar” um personagem pode prolongar a “vida útil” dele, trazendo nova motivação ao jogador que o criou. É sempre melhor ter na mesa o mesmo personagem, evitando aquele rodízio horrível de novos PCs entrando a cada sessão.

-Melhor andamento da aventura
Ocorre principalmente quando alguém criou um PC mecanicamente superior ao outro. Ter desníveis de poder é muito ruim para a aventura e cria um problema para o mestre:

Como criar desafios para todos, sem que sejam fáceis demais para alguns, e difíceis demais para outros?

Refazer a ficha de alguns personagens, melhorando sua mecânica, pode ser a solução para o nivelamento.

– Faz sentido para a campanha
Imagine que o mundo onde se passa a aventura acabou e foi refeito por alguma criatura extraplanar.

Uma reviravolta no universo traz muitos ganchos para aventuras futuras e refazer as planilhas de alguns personagens pode ser o reflexo das mudanças no mundo, além de trazer mais solidez para a campanha.

É mais legal ainda quando os PCs lembram de como era o mundo antes das alterações e precisam fazer algo para voltarem a ser o que eram.

- O acaso atrapalha o conceito do personagem
Isso acontece quando os dados cismam em atrapalhar o personagem que deveria ser “o melhor espadachim do reino”.
O espadachim erra todos os golpes e quando finalmente acerta tira um dano ridículo.

Refazer o PC pode ajudar no alinhamento do conceito do personagem, ao invés de forçar um abandono por parte do jogador frustrado.

“Bem, se ele erra tudo, então é melhor fazer o mais trapalhão espadachim do reino.”

Ou então

“Queria gastar mais pontos nessa habilidade, para garantir o resultado nos dados.”

- Novos suplementos/edições do sistema
Não há melhor motivo para recriar a ficha de um personagem que esse!
Quando novos poderes surgem e a desculpa para comprá-los é completamente plausível.

Na minha opinião, o lançamento de novos livros não é desculpa para abandonar os antigos PCs, mas uma oportunidade de melhorá-los.

Problemas:

- Recriações contínuas
Ajustes de fichas não podem ser encarados como uma festa, mas sim como uma exceção. Quando o jogador exagera nos ajustes do seu personagem e abusa nas mudanças, é sinal de falta de comprometimento e/ou preocupação na hora de criar o personagem em si.

Nesse caso, melhor aprender a fazer personagens.

Esse problema também pode ser causado por…

- Problemas no conceito do personagem, e não na mecânica do personagem
O conceito do personagem é o que o define. Se o jogador não está satisfeito com o papel do personagem na aventura, ele pode desejar fazer ajustes no seu PC, mas isso deve ser evitado.

Nesse caso, o melhor é fazer outro personagem, ao invés de ficar remendando o que já nasceu errado.

P.ex.: O jogador não quer ter mais um “mago” e começa a investir/alterar o personagem para torná-lo mais habilidoso com a espada e armaduras.

- O grupo não aceita ajustes nos personagens
Se o ajuste do PC vai atrapalhar a diversão dos outros integrantes do grupo, melhor deixar para lá. Não vale a pena deixar um monte de gente se sentindo injustiçados.

- Interferência no andamento da campanha
Muito parecido com o item anterior. Se o andamento das aventuras for prejudicado pelos ajustes, melhor vetar. Não adianta sacrificar a diversão do grupo inteiro (incluindo o narrador) por causa de um problema na criação do PC. Todos acabam perdendo.

Qualquer que seja a sua decisão, não deixe que o fato disso não estar previsto nas regras do seu sistema atrapalhe a sua diversão!

Um sistema é apenas uma ferramenta que deve servir ao grupo, e não o contrário!

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Sobre Alexandre

Estagiário do vice presidente júnior do RPGista, Alexandre começou a jogar RPG em 1991, só para poder usar miniaturas e jogar dados esquisitos. Ele é o jogador que faz os ninjas e rangers do grupo. Nunca magos (porque com eles não se brinca).